Não quero a liberdade, se estiver sozinho pra voar
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Vai, menina
É que o cinza é maior que o céu
E o resto é chorar
Não espere por ninguém
Ninguém espera por você
Ninguém
terça-feira, 12 de agosto de 2014
amor
Quando você bateu a porta eu corri para o banheiro e tomei banho com a água mais quente possível, para tirar todas as suas digitais de mim. Sequei cada milímetro do meu corpo e antes mesmo de terminar já fui pegando a escova de dentes e tirando todos os restos de você, expurgando esse fantasma. Saindo do banheiro, coloquei aquela música que eu adoro e que você não suporta, troquei a roupa de cama e me joguei em lençóis com cheiro de amaciante para cantar bem alto, repetidas vezes a mesma música. Pensei no que estaria acontecendo se você estivesse aqui. Provavelmente você estaria falando sobre as coisas chatas que acontecem na sua vida ou me induzindo a sonhos que, com você, são impossíveis. Comecei a lembrar dos nossos planos, da nossa tão sonhada casa de frente ao mar e da nossa vontade de ter um cachorro. Lembrei das nossas economias e vontade de trabalharmos menos.
Só então que eu percebi que você não sai da minha cabeça... nunca. Isso me deixa confusa, mas acho que amor é assim mesmo, algo que não tem lógica, explicação científica ou coisa que valha.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
As suas coisas
Você esqueceu suas meias
penduradas no varal, eu recolhi e guardei para você. Venha buscar as digitais
que deixou em mim, os copos quebrados e os sonhos que fez-se perder em mim.
Finja que esqueceu tudo isso aqui e venha buscar, pegue a sua camisa do cabide.
Guardei o que sobrou da paz, essa podemos dividir em partes iguais já que o que
tem é pouco. Não vou pedir para levar o que restou do nosso amor, esse eu sei
que está velho demais, feito de trapos que fomos recolhendo do chão e que
esquecemos de juntá-los, apenas um amontoado de lembranças apagadas e rasgadas.
Aqui faz sol, posso colocar suas
coisas lá fora para que saia o cheiro da angústia, mas não peça para eu ter
cuidado, não me resta outra opção além de me desfazer das suas coisas que agora
são mais suas que nunca.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Pode entrar
Vem, entra! Só não repara, não. Eu mudei algumas coisas de
lugar, consertei algumas mágoas. Te chamei aqui para você ver a cara nova que
eu dei em tudo, mas tira o sapato para entrar, não quero mais que você marque o
chão ao pisar. Transformei tudo em uma versão que você não conhece, joguei fora
aquilo que era desnecessário e que me matava. Talvez você não reconheça o
local. Pode abrir as gavetas, os armários todos, repara nas paredes vazias e
limpas das cicatrizes. O tempo foi capaz de arrumar o que você quebrou, tirou o
visgo e suor dos móveis. Olha as cores, você nunca reparou quando elas estavam
ai e nem quando foram embora, agora elas voltaram e esperam por alguém que as
repare.
Fiz um bolo para você, vamos sentar e tomar café, quero te
contar do tempo em que as coisas não foram fáceis para o meu coração, das
tempestades que passei com o teto esburacado onde não havia ninguém para me ajudar a impedir que a chuva entrasse. Agora senta e ouve. Quero te lembrar do que me disse na última vez
que nos vimos, quando falou sobre querer um tempo para você. Me deixou de lado
como se eu fosse um utensílio inútil. Quero te contar como esse tempo me ajudou, como
você conseguiu fazer meu amor se calar, eu deixei tudo para trás e quero ver
como vai reagir, se vai doer. Vem, entra.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Não choro
A minha solidão não troveja, não relampeia, não grita e não
chora.
Ela não se precipita.
A minha tristeza não se transforma em lágrimas, mesmo, por
vezes, eu quase não suportando.
Ela não desaba.
Já me imaginei transbordando o mundo de prantos, sofrimento
e desespero.
Não sucumbo.
Um imenso rio formado de puro desgosto e água podre e fétida
que me rege.
Não mergulho.
Eu sinto o peso da vida em minha cabeça e em meu peito.
Palavras ditas e não ditas. Malditas.
Não serei mártir.
Estou letárgica mas não cinza. Pintei meu mundo com guache,
torcendo para não chover.
Não serei o medo.
Não sou coitada, abandonada em uma noite fria. Até porque é
dentro de mim que faz frio, neva.
Aqui dentro névoa.
Que sumam, que apaguem, sejam esquecidos, que morram... que
matem os meus sonhos.
Eu não choro! Não choro!
quarta-feira, 25 de junho de 2014
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