domingo, 5 de dezembro de 2010
Veio falar comigo cheio de eufemismos, como se precisasse. Falou que gostava das ondas que formavam em meu cabelo, depois que o suor escorria de tanto eu dançar ska, eu disse que isso era a coisa mais nojenta que me falaram, foi ai que parou com a série de eufemismos. Sorriu.
Me disse que eu era a guria mais bonita, e todas aquelas coisas que um menino te fala quando quer te comer. Eu sorri. Era de dó, sabia que ele era dois anos mais novo do que eu e que nunca tinha aberto um livro na vida, vocês sabem que um menino mais novo é problema, não é?
Ele tinha um cheiro agradável, as vezes me lembrava amêndoas, se fosse uma menina eu o chamaria de Lolita, afinal era tão ingênuo quanto uma menininha e tão cheiroso quanto a lembrança que me remete a Nabokov. Mas me tirava o ar.
Me falou de filosofia, como se entendesse do assunto, me disse dos chakras e de coisas de hippie, achei inapropriado para o momento e local, mas isso foi ousado, afinal, tinha 1% de chance de eu gostar... gostei.
Jogou verde inúmeras vezes, umas eu percebi na hora, desbaratinei e delicadamente fugi do assunto, outras vezes... colheu maduro.
Eu tinha vontade de me apaixonar por ele, apesar de ser tão bobo era uma boa pessoa, gostava de música boa, pelo menos. E não bebia kaiser, tudo, menos kaiser. Falou que kaiser tinha gosto de nescau e que nescau era ruim, eu ri, mas não me apaixonei de imediato. Depois desse dia ele me procurou inúmeras vezes, chegou a me mandar bombom, ele sabia que eu preferia chocolate branco, andei falando para ele, não me lembro quando. Demorei um tempo para gostar da situação, passaram-se meses, quando comecei a gostar nem esperei ele aparecer, resolvi ser decidida igual ele, liguei na mesma hora. Uma semana depois ele sumiu do mapa.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Cansei... pois é, cansei de me cansar, cansei de cansar os outros, cansei dessa maldita palavra, ou seja, vivo em um paradoxo estranho. De uma forma circunspecta faço flexões e me distancio daquilo que me aproximo, confunde mesmo e é o tipo de coisa que você pode falar com a maio clareza que nunca vai ficar claro. Afinal eu não tenho peito pra explicar!
PEITO É NO AÇOUGUE E GALINHA MORTA É NO MERCADORAMA!
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Quero ficar assim...
Longe;
Indiferente;
Inconstante;
Comigo mesma, sem mais ninguém.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
B a Bá.
Pode falar baixinho que eu ouço, mas se for para gritar e fazer uma revolução, me chame que eu ajudo.
Pode dizer coisas complicadas que eu entendo, mas se quiser desenhar, eu me encanto.
Cite frases que eu as termino, mas se tocar uma bela música eu sou todo ouvidos.
Se me contar um sonho eu viajo junto, mas se escrever um conto, eu prefiro.
Me levar em um jantar é algo fabuloso, mas um boteco com cerveja gelada me faz sentir em casa.
Me mostrar um álbum de uma banda bacana, uma foto bonita, me desejar saúde quando espirro, segurar minha mão para atravessar a rua, dizer um belo "bom dia", me mandar um cartão de final de ano, me ligar de madrugada, me contar um segredo, me convidar para tomar um sorvete, desejar boa sorte... ou só me dar um abraço em qualquer momento, já me faz muito bem.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Estava arrumando algumas coisas antigas e achei uma folha de sulfite com um texto que eu escrevi a algum tempo atrás. É uma mistura de trechos de músicas e coisa que talvez tenha saído da minha cabeça. :D
Não sei bem quando foi que eu escrevi isso, mas deve fazer muito tempo. xD
Ai está:
Tire daqui todos os sentimento que vão fazer eu estragar tudo, é como se eu soubesse (e eu sei!) que está tudo errado, e se eu sinto isso e acabo gostando? Eu sei... Nada sempre fica bem, mas não está ficando bem, sonhos que voltam e aparecem com a realidade (ninguém é como você).
Eu estou com tanta corda que vou me enforcar, assisto TV, mas meu cérebro não para de pensar naquilo, isso acontece todo dia, tudo parece que não tem sentido quando você para pra pensar, eu escuto lamentações de quase todo mundo. Parece que nada está bem e todos estão perdendo tempo com coisas inúteis, não me acorde nem quando o mundo acabar!
Eu sou uma dessas idiotas, melodramáticas, neurótica até os ossos. Eu declaro... Eu não me importo mais se eu estou me irritando e crescendo chateada, agora eu penso que eu estou doente.
Você é a razão para minha desgraça.
Qual é o premio de consolação? Dentro de um caixão 10% de desconto? Porque eu estou pensando em uma nova esperança? Aquela que eu nunca soube. Porque agora eu sei! Que é tudo aquilo que eu não queria.
Certifique-se do que faz, de forma sensata, você pode descobrir que a sua própria dúvida significa que nada houve. Você não pode ir forçando algo que simplesmente não é certo. Então não force nada, porque nada é certo!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Resenha (ou quase) sobre o show do Green Day - 20 de outubro de 2010- Anhembi- São Paulo.

O título já avisa que é uma "quase resenha", afinal é praticamente impossível explicar e demonstrar o que foi o show mais esperado da minha vida. Foram anos esperando, e quando saiu oficialmente no site eu fiquei de boca aberta e sem nenhuma reação, ainda não tinha caido a ficha. Logo que saíram os ingressos eu fui correndo buscar uma excursão e consegui comprar a premium, foi um alívio quando peguei o ingresso e vi que meu sonho estava a alguns dias dali, e a partir de então comecei a contar os dias desesperadamente, olha que foram dias difíceis, não passavam nunca, uma semana antes do show comecei a contar as horas e via ansiosamente o esperado tão perto, e por incrível que pareça ainda não tinha caido a ficha. No dia 19 a noite foi tão longa quantos os meses que antecederam, quando meu despertador tocou eu ainda estava acordada sem quase piscar os olhos de ansiedade, me arrumei e ainda contava as horas. Fui a primeira a chegar no local de onde a excursão sairia, nessa hora tudo me passava pela cabeça, estava com medo de acontecer alguma coisa que me privasse de ver o show ou coisa assim, para meu desespero uma criatura chegou atrasada e nos fez perder uma hora de fila para ver de perto a banda dos meus sonhos. Mas tudo bem, fingi até bem meu desespero e passei por cima. Chegando no local do show, que era o Anhembi, me deparei com uma fila gigante, e quase cai aos prantos, temendo não poder ver nada do show com meu 1 metro e meio de altura. Mas fizemos algo que aposto que muito ser apaixonado pela banda deve ter feito, cortamos a fila na cara dura, simplesmente sentamos no meio-fio e esperamos a fila andar, quando começou a andar nos infiltramos e agimos normalmente, como se tivéssemos ficado lá o dia todo, ainda bem que ninguém resolveu linchar a gente e tal. Quando entramos no anhembi tinham poucas pessoas nos separando da grade, um alívio, mas mesmo tão perto não parava de contar as horas, além da ansiedade o que também falava alto no momento era o cansaço de quem acordou 3hs da madrugada e enfrentou uma viagem de 6hs, e o calor abafado de gente aglomerada, nessa hora me estresse estava nas alturas, para ajudar umas meninas tentaram se meter na minha frente, se elas não percebessem a minha cara de nem um pouco feliz com a situação e saíssem de fininho eu arriscaria ser carregada por um segurança, porque quando mete a minha banda favorita no meio "eu dou porrada 3x4 e nem me despenteio".
Mas tudo bem, eu aguentei firme, dei graças a Deus quando a banda de abertura entrou no palco, não gostei nem um do som deles por sinal, mas deve ter sido pela vontade louca de ver Green Day, juro que depois tento ouvi-los com mais calma. Quando eles falaram que seria a última música eu já não estava mais cabendo em mim de tanta alegria, e quando o "pink bunny" entrou no palco então? Eu estava em um estado de pura euforia, misturada com muitas outras sensações inexplicáveis, só lembro de ter gritado: "Cara! eu não acredito". Falei isso de empolgada, mas eu realmente não acreditava que estava tão perto!
Antes do previsto eles entraram no palco, isso para ver como minha contagem regressiva de horário foi totalmente fail, eles entraram tocando "21st Century Breakdown" e eu cantava com toda a minha força e vontade, e aguentando pra não cair com os empurrões e com a levada da multidão. Eu estava ali, já ouvindo "Holiday" e nem acreditando em tudo aquilo, o palco estava a pouca distância de mim, era tão perto que parecia mentira. Se eu for contar todas as músicas aqui eu ia falar o nome das 33 músicas e mais os covers que eles tocaram, mas vou poupa-los e falar que a sequência de "F.O.D., J.A.R., Stuck With Me, Dominated Love Slave, Paper Lanterns, 2000 Light Years Ago, Hitching a Ride e When I Come Around" foi a melhor parte do show, sem a menos sombra de dúvidas, em especial quando eles começaram a tocar Dominated Love Slave que é a minha música favorita. A pior parte foi lembrar que Time of Your Life era a música que fechava o show e começar a ouvir ela, nessa hora senti uma lágrima fujona, era o fim de tanto tempo de espera, eu juro que 3 horas de show foi quase nada, passou como se fosse um segundo.
Sai desamparada, todas as pessoas que foram comigo tinham desaparecido no decorrer do show e eu fui perceber isso só no final, mas na verdade eu não queria falar com ninguém mesmo, afinal, com todo mundo que eu falei reclamou de alguma coisa, foi reclamações desde o som até o calor, coisa que a banda não tem poder sobre. Fui com a maior angústia dentro do peito rumo ao ônibus da excursão e sentei para ver as fotos e tentar acreditar que aquilo tudo foi de verdade, mesmo depois do show a ficha ainda não tinha caido. Hoje o que resta são algumas fotos, bem mau tiradas e uma bandeira que comprei de um camelô qualquer.
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