terça-feira, 28 de março de 2017

Me perdoa por todos os cigarros e pelas noites em claro, você talvez um dia entenda como foi difícil para mim. Esse nó na garganta não é por ti e saiba que todas as palavras que eu digo na hora da raiva são apenas raiva, não raiva de você, é raiva da vida, das pessoas, do abandono, das promessas vazias, do meu fracasso... Isso mesmo, é raiva especialmente do meu fracasso e desse meu medo de tudo, medo de como é e de como vai ser. Vai ser difícil, mas vai ter amor pra caramba, não preciso nem te prometer isso.
Eu não vou ser a mãe mais bonita, muito menos a mais inteligente desse mundo mas vou te embalar ao som de Smiths e contar histórias. Eu sou do tipo que coloca a música pra tocar e dança nos primeiros segundos que a ouço, mas juro que jamais vou fazer isso na frente dos outros pra não te causar constrangimento.
Quero deitar na sala, contigo no meu colo e quanto você pegar no sono, te levar para a cama nos meus braços, te cobrir e te beijar.
Vou ficar puta com as noites em claro, vou sentir falta do meu sono preguiçoso de sempre, mas te prometo que vai ter orgulho de mim e da minha força. Eu posso ter todos os defeitos do mundo, mas vou fazer de tudo para te tornar feliz. Um dia você vai entender que cada dia é um dia e que eu realmente precisava de um tempo para ficar bem e te aceitar sem medo nenhum... Ou talvez esse medo nunca passe, mas espero que você possa entender que eu estou dando e sempre vou dar o máximo de mim.
Eu estou te esperando de braços abertos e te desejo toda a sorte do mundo, te desejo toda felicidade e todo o amor do mundo, que nada nunca te machuque.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Eu queria te ligar naquele momento e gritar ao telefone, te pedir para ir correndo me encontrar. Queria que fosse um daqueles momentos em que tudo está bem entre nós e eu posso correr te procurar quando o peito aperta. Saí daquele consultório com as pernas tremendo e o coração apertado, morrendo de medo, suando frio, mas firme. Se eu te contar o número de coisas que estavam passando pela minha cabeça, você não vai acreditar. Eu estava a beira de mais uma crise, mais um ataque de pânico, mas como semana passada no supermercado, consegui me segurar e manter a calma. Dizem isso, que situações te dão forças que você nem imagina que possa ter, de repente eu aprendi a lidar com meus ataques de pânico e respirar.
Ao chegar no escritório, te liguei com medo de você não aceitar minha ligação, tive que tentar cinco vezes para ter coragem de falar algo. Meu peito estava doendo, eu carregava em mim todos os receios do mundo. Eu não consegui falar com você, lembrei de todas as vezes que fui tratada como louca e  então foi que decidi e tentei falar por mensagem. Estava tremendo.
Na primeira mensagem eu tentei explicar o quão difícil era para mim, você não quis se importar com a minha dor, não quis perder seu tempo mais uma vez com tudo o que eu sinto e me bloqueou antes mesmo de eu poder explicar qualquer coisa.
Eu estou machucada demais, eu sofro demais, tenho forças de menos para lidar com tudo isso e comigo mesma. Eu sei que não adiantaria implorar para me ouvir e ficar do meu lado, me apoiar ou me amparar. Eu sei que não adianta eu implorar, se adiantasse, juro que faria.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017



"-Eu sou a Alice, sempre fui a Alice". Foi o que te disse enquanto dávamos mais uma tragada no cigarro. Eu era Alice Ayres, aquela garota de cabelos coloridos e roupas estranhas, que sempre foi menor, trabalhando em uma cafeteria e quem sabe te esperando de uma viagem que você definitivamente não deveria ter feito, ou que deveria ter ficado menos e deixado de pensar um pouco em dinheiro. Eu sempre me senti muito Alice, sempre te pedi para cuidar dos meus machucados, achando que minha juventude te faria sempre querer ficar. Eu fui Alice quando larguei tudo para estar sempre ao seu lado, eu fui Alice quando tirei as cores do cabelo e me tornei a mulher que você exigia que eu fosse, fui Alice ao ter 20 anos e ter que te ver ir dormir com outra todos os dias, fui Alice quando você se gabava da idade das suas novas parceiras, fui Alice quando te implorava para ficar e grudava em você para que ficasse, fui Alice todas as vezes que fiquei chorando enquanto você saia por aquela porta como se eu fosse mais uma qualquer, fui Alice quando pedia para que terminasse de uma forma que não tirasse o valor do nosso amor, fui Alice até o momento que eu não consegui mais acreditar no que me falava: "- Me mostra! Cadê esse amor? Eu não o vejo. Não posso tocar nele. Eu não sinto. Eu te ouço, escuto umas palavras... mas não posso fazer nada com suas palavras vazias."
Eu fui Alice até o momento que percebi que na verdade eu era muito mais Jane Jones que Alice.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

5 de janeiro

Acordei com 13 notificações no celular, fui olhando uma por uma com o coração quase saindo pela boca. Esperei uma mensagem a meia noite mas não teve. Nenhuma das 13 notificações era a que eu realmente esperava, mesmo realmente sabendo que jamais seria. Talvez eu e meu simbolismo com números e datas seja acima do das outras pessoas e talvez no decorrer do seu dia você sequer lembre daquele 5 de janeiro, onde eu estava feliz como nunca tinha sido. Fico feliz por você estar longe e ter conseguido isso, eu não conseguiria e isso ainda é um peso gigante nos meus ombros, me apeguei demais a todas as lembranças que deixamos por aqui.
Eu me arrependo de várias coisas, por toda a dor e sofrimento que passei nos últimos 5 anos preferia não ter te beijado naquele dia 16 de abril, queria não ter te conhecido, mas isso não podemos mudar, escolher, prever... então sou grata, eternamente grata pelas balas de melão, pela mão suada, pela viagem para a ilha do mel e principalmente pelo dia 5 de janeiro de 2013 onde eu digo com toda a certeza do mundo: Foi o dia mais feliz da minha vida, seguindo nossa teoria sobre felicidade efêmera.
Eu te amo demais e torço para que você lembre desse dia da mesma forma que eu lembrei.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Descendo aquele elevador e pensando quantas vezes já havia me olhado naquele espelho sem me reconhecer. Ao abrir a porta e respirar pela última vez aquele ar com cheiro fresco de citronela, não aguentei e chorei, não sei se de tristeza ou alívio. Aqueles últimos anos foram os mais difíceis da minha vida, foram os mais pesados e eu estava exaustivamente achando um jeito de recomeçar. Quem sabe aquele fosse o momento.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Eu estou aqui hoje por dois motivos: Falar sobre você sem derramar lágrimas e contar o porque desisti de você.
Meu amor, se é que posso te chamar assim já que em vários momentos teu ódio por mim impedia que fossemos um o amor do outro. Eu encontrei você quando me sentia uma garota normal, eu tinha 20 anos e fazia apenas um ano que estava na faculdade, eu era bem novinha mas sempre fui calejada. Me encantei com seu jeito, com sua inteligência e queria com toda vontade do mundo descobrir mais sobre aquele seu universo. Eu me lembro dos seus blazers e da forma como sempre estava bem vestido, tirando a barra da calça jeans que era feita como calça social e os tênis que você nunca se importou em lavar. Eu te admirava, eu queria te desbravar, eu queria te conhecer até não ter mais esconderijos ai dentro. 
Em uma semana estava te fazendo juras e pensando em casar e ter filhos com você, eu era nova, boba, imatura. Assim como o amor chegou derrubando tudo o que estava pela frente, nossas brigas também chegaram. No começa ambos achávamos que era culpa da minha imaturidade e dos meus 20 aninhos mas nossa relação amadureceu, nos casamos. Nessa época eu estava com 21 anos e não tinha nada, só você. Nossas brigas pioraram, eu sentia vontade de me afastar de você mas você me culpava e culpava sempre minha imaturidade por isso. Em um dia você me amava, no outro me odiava.
Você se afastava cada dia mais de mim e eu insistentemente te pedia para voltar a ser o mesmo, pedia para me dar atenção e me levar junto com você quando saía com seus amigos. Esses dias dei uma stalkeada em um dos seus amigos e tinha fotos de vocês em um barzinho, a maioria das pessoas tinha um acompanhante sentado ao lado, assim como eu fazia, te levava para qualquer lugar que eu ia e você conhece todos os meus amigos.
Nessa luta incessante pela sua atenção, eu acabava perdendo a linha, era controladora, estúpida, grossa, te tratava muitas vezes com um ciume possessivo e tinha paranoias absurdas. Eu estava enlouquecendo aos poucos.
Depois de tanta loucura e briga, você decidiu me separar. Eu me lembro de chegar em casa do trabalho e você ter visto vários lugares para morar antes mesmo de me avisar, aquilo me doeu demais. Você chamou suas filhas e foi conhecer casas novas. Eu precisava achar algum lugar mobiliado rápido já que não teria móveis e a casa estava no seu nome, me mudei. A mudança e os dias que se passaram depois foram os piores da minha vida. Você brigou comigo naquele show, não atendia meus telefonemas e me cobrou R$2.600,00 que te devia. Eu precisava te pagar em um mês. Dentre essas cobranças, me lembro da sua voz fria ao telefone, me dizendo coisas que eu não merecia ouvir e que eu jamais esperei ouvir de você. Dessa vez você me pediu perdão, eu aceitei. Logo depois estávamos juntos novamente, mas por pouco tempo. Depois da nossa separação passaram-se 2 anos de idas e vindas, você sempre me mostrando que não tinha certeza se queria estar comigo e isso me enlouquecendo ainda mais, eu te queria de uma maneira cega e burra, só faltava te amarrar ao pé da cama, mas você apenas demonstrava que não queria. Eu precisava insistir para ficarmos juntos, sairmos juntos, dormirmos juntos.
Foi então que você juntou suas coisas pela última vez e saiu de madrugada da minha casa. Eu quis morrer, eu virei só tristeza.
Foram 7 meses, você estava com outra pessoa em menos de uma semana, quando eu percebi que tinha uma garota diferente curtindo suas fotos do facebook fui conversar com você e você falou com muita sinceridade que a garota era uma louca, que quis ficar com você, que te ligou pedindo seu endereço mas que você não deu, porque EU era o amor da sua vida. Lembro da sua voz me falando isso, contando a história com detalhes. Meses depois você deixou escapar que ela havia ido até sua casa, que sabia seu endereço, que entrou na sua casa e que você ficou com ela.
Eu aceitei e como forma de amenizar minha dor, quis me entregar a outra pessoa, eu passei a perceber que outras pessoas me desejavam e que eu precisava corresponder, na minha inocência fui pedir perdão e dizer que agora eu precisava também me entregar a outras pessoas. Imagino que naquele momento você já estava na sua casa rindo de mim, você já estava com outra garota, vivendo outra história. Uma semana depois disso, eu ainda não conseguia realmente me entregar e não conseguia ficar com outra pessoa, foi então que você me mandou uma foto deitado na cama com outra. Meu mundo desabou, eu tinha raiva, ódio de você, não entendia porque me magoava daquela forma, porque queria me ver triste, queria te ligar e xingar. Novamente te perdoei.
Essa última garota ainda não era o suficiente, você trocou ela e já estava com outra, essa era linda, madura, inteligente e tinha filhos, você sempre quis ficar com uma mulher com filhos, para que ela fosse mais compreensível. Ela era tão linda que você quis me mostrar foto, falava do cabelo e do corpo dela com brilho nos olhos. Até que se cansou dessa também e eu... te perdoei.
Eu já estava exausta, cansada disso. Procurei terapia, psiquiatra, acupuntura, floral... Nada resolvia. Eu sentia que realmente estava enlouquecendo. Aquilo tudo era demais para mim.
Foi então que surtei... Eu surtei e você alimentou, me chamava de louca enquanto eu surtava, me chamava de doente. Fui parar na emergência três vezes nesses últimos dois meses, eu chegava lá completamente fora de mim.
Eu decidi que precisava acabar com tudo isso e que precisava me afastar de você, sai, fui pra balada, conheci gente, fiz amigos, tentei incansavelmente voltar a ser o que eu era antes de te conhecer. 
Sem mais nem menos, garotas que você ficou começaram a me perseguir, curtindo e compartilhando fotos minhas, aquilo voltava a me deixar triste e a reviver tudo. Fui te pedir para fazer aquilo parar. Depois que foi falar com ela, mudou completamente o tom como falava comigo, me chamou de baixa e chula porque eu estava conversando com outras pessoas, disse que se sentia vergonha por ter ido falar com ela, já que ela disse que nem me conhecia e que eu estava mentindo.
Eu não menti para você nem dessa e nem de todas as outras vezes que você desconfiou de mim, eu tenho convicção do que fiz por você. Claro, eu errei muito em todos esses anos, falei coisas que não deveria e pedi perdão quando me arrependia. Surtei, chorei, tive ciumes e paranoias. 
Eu desisti de você porque não posso ser perfeita, não posso ser aquilo que nunca fui. Não posso mudar meu passado, não posso mudar o fato que fiquei com muita gente antes de você, não posso deixar de conhecer pessoas novas apenas porque você acredita que tudo termina em sexo e assim como você faz, de adicionar no facebook para transar, eu também faria.
Você me falou que não tenho respeito por você porque mandei um print onde aparecia uma conversa com um garoto e isso era não ligar para seus sentimentos. Pelo contrário, eu jamais esconderia algo, jamais negaria que conversei com alguém, jamais mentiria para você por causa de outra pessoa.
Suas mensagens de ódio começaram perguntando se eu tinha ranço de você, porque eu disse que ingratidão era algo que me fazia pegar ranço das pessoas, JAMAIS me referindo a você. Eu nunca tive ranço de você mas você na sequencia me cuspiu todo o ranço que tem de mim, me chamando de demagoga, hipócrita, falando que eu sempre quero ficar por cima dos outros, me chamou de déspota, disse que eu te usei, manipulei, me falou que se arrependeu de ter ficado comigo...
Eu sei dos meus defeitos, sei das minhas fraquezas, sei dos meus surtos, das minhas falhas, do meu ciume, da minha mania de sufocar... Mas também sei do meu caráter, sei que nunca dei motivos para ser chamada de tudo isso, sei que já errei muito e te falei coisas horríveis também, mas não foi simplesmente por ter conversado com alguém, como se estivesse cometendo um crime.
Você já disse outras inúmeras vezes coisas assim e eu desisti de ser perfeita ou de passar uma segurança inútil para você, sendo que meu caráter sempre é julgado em qualquer briga.
Hoje, depois de ler todas essas coisas, seria falta de amor próprio dizer que amo alguém que fala essas coisas. Eu sinto um carinho por você, por ser o primeiro que me entreguei completamente. Mas sinto muito, você matou qualquer admiração que eu poderia ter por você e sei que eu sendo tão hipócrita, demagoga, déspota, baixa... você também não deve sentir um pingo de admiração por mim. Agora ficou fácil nos largarmos de vez, você conseguiu.

Ps. Não derramei uma gota de lágrima.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Vitamina de abacate e bolo de abacaxi

Era dezembro e eu sei que em dezembro faz sempre tanto calor, eu te acordava ou acordávamos juntos, não consigo me lembrar ao certo, só lembro da sua insistência em abrir a cortina e a minha insistência para aproveitar o resto da manhã na cama, sem nenhum compromisso, você sempre foi teimoso demais. Levantava, abria a cortinha enquanto eu continuava deitada vendo as partículas de poeira dançarem no ar, eu sempre adorei as partículas de poeira contra a luz, desde que era menina do interior do Paraná e deitada na cama, com as pernas erguidas na parede, admirava a poeira pairando enquanto minha mãe gritava para eu levantar logo da cama.
Era dezembro e eu vivia completamente feliz na nossa vida sem luxo em uma apartamento apertado de móveis cheios de cupins. O calor fazia o cigarro apagar, pela força do ventilador que deixávamos ligado 24 horas por dia e você repetia sempre a mesma frase: "Você sempre faz esse cigarro apagar". E eu sempre achei graça nas suas frases que eu tinha que ouvir repetidas vezes, eu sei que foi em dezembro e que logo não vou me lembrar de todas as frases e de todos os nossos domingos deitados na cama mole de colchão duro.
Era dezembro e sentávamos no chão, com uma calculadora, canetas, marca texto e com nossos cadernos de anotar, fazíamos nosso planos sempre tão difíceis e tão apertados. Eu sorria, porque no fundo acreditava demais que daria certo. Guardávamos nossos sonhos nas nossas (agora só suas) pastas e voltávamos a viver nossa vida de compra de mercado contada e felicidade ao sobrar para um pacote de bisnaguinha. Eu sempre odiei bisnaguinha.
Daqui a pouco dezembro chega, o frio está já quase indo embora. Em dezembro eu quero conseguir abrir as cortinhas, até lá não vai ter mais cigarro apagado no vendaval do ventilador. Eu espero desesperadamente dezembro chegar, o calor chegar, porque lembro que em dezembros passados, esperava ansiosamente junho e o frio que passava fora das nossas cobertas, sempre tão quentes e tão bagunçadas. Em junho você esperava sempre um pouco mais para levantar e abrir as cortinas e por isso invernos me doem tanto.
Eu não sei quanto das memórias vou perder até dezembro, não sei se vou sentar no chão e criar uma lista de metas para deixar guardada comigo, mas eu vou abrir as cortinas e passar o café, eu vou escolher domingos para comer pastel de carne seca com milho sentada na minha canga verde. Eu vou passar protetor solar e sair com a minha sombrinha que protege dos raios UV e não vou me envergonhar dela.
Agosto não é mês de criar listas, mas se eu pudesse, minha primeira meta seria: Aguentar até dezembro.