segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Batata-frita

Sempre achei que esse amor era coisa de quem não tinha nada melhor para fazer. Eu só o sentia porque estava infeliz naquela vida pacata. Só por isso. Resolvi então agitar a vida pacata. E comecei a sair mais de casa, enxergar as pessoas ao meu redor, mais viagens, mais baladas. Amor é coisa de gente pacata e agora que eu tinha uma vida agitada, poderia, finalmente, mandar esse amor embora. Tchau, coisinha besta.
Nada feito. Só piorou. Acordava e ia dormir com ele engasgado aqui. Ficava inconformada. Mas aí concluí: amor é coisa de quem tem tempo pra pensar nele. Claro, mesmo com a semana agitada entre faculdade e trabalho, eu fico em casa o fim de semana todo, alegando cansaço, no silêncio das minhas coisas, claro que acabo pensando besteira. Aquele papo de mente desocupada casa do diabo, sabe? Amor do diabo. Fui procurar Jesus.
Depois de dez passes e de ler todo o Evangelho Espírita, achei que ficaria tudo bem. Ficou nada. Eu só parei de sonhar que botava fogo no apartamento do ser amado ou que arrancava os olhos de todas as mulheres do mundo. Parei, talvez, de odiar o amor. Mas o amor, na verdade, ficou lá. Duro que nem pedra. Daqueles que não vão embora nem com reza brava.
Amor adolescente, pensei. Com certeza, se eu virar mulher, esse amor bobinho passa. Amor de menina boba. Tratei, então, de virar mulher. Quem sabe mudando o visual, esse amor não se mudava de mim? Nada feito. Cabelo novo, roupas novas, sapatos novos, novas contas pra pagar. E o mesmo coração idiota. O mesmo amor de sempre. Coisa chata, não?
Ah, que que é isso! Amor deve passar com um novo amor, não? Olha lá aquele menino bonito te olhando, o outro que escreve bonito, o outro que te faz rir um monte, tem também aquele ali, com mão firme. Nada. Nenhum deles foi capaz de me salvar, de substituir minhas células cansadas em sentir sempre a mesma coisa. Nenhum foi capaz, nem por um segundo, de me levar para passear em outros tormentos. Ou outras alegrias. Qualquer outra coisa que seja.
Aí veio a idéia brilhante. Será que se eu mergulhasse de cabeça na estupidez desse amor, não me curava? Será que se eu, por um minuto apenas, parasse de sentir tudo isso de dentro da grandiosidade que eu inventei para tudo isso e enxergasse de perto como tudo é tosco e pequeno, eu não me curava? Só piorou. De frente para ele e suas constatações tão absurdas a respeito de tudo, só consigo sentir ainda mais amor. E quanto mais e maiores motivos para não sentir, ele e a vida me dão... Adivinhem? Sim, o amor cresce. Irresponsável, sem alimento, sem esperança e de uma burrice enorme. Ainda assim, forte e em crescimento.
Mas esse amor, ah, esse amor é coisa de quem não ama a própria vida. Se um dia, um dia eu pudesse realmente ser uma Jornalista. Ou até, nossa, se eu pudesse trabalhar na televisão sabe? Esse amor iria embora, claro. Nada feito. Estou aqui graças a minha maior qualidade: a fé. Sim, isso só não funciona pro amor, mas pra todo resto na minha vida acreditar sempre funcionou. Tudo certo com a minha vida. Ou quase tudo certo. Ainda sinto esse amor ridículo. Essa coisa infernal que me vence todos os dias, todos os minutos. Quantos bons contatos me admiram e me elogiam. Ainda bem que alguém além de mim acredita em mim. É tanta coisa boa acontecendo, tanta gente boa se aproximando que tá na hora de acordar. Enxergar. Receber.
Taí. Tá bom. O amor venceu. Você venceu. Venceu. Venceu. Venceu. E eu acabo de descobrir, simples assim, a única maneira de me livrar desse sentimento: aceitando ele, parando de querer ganhar dele. Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida. Foda-se esse amor. E foda-se você.

Tati Bernardi

Anda

Desamarra esse nó da garganta, reage. Vai, menina! Tira do peito isso que não é mais teu, joga fora. Já chorou, já sofreu, agora desapega e não olha mais pra trás. Vai, te ajudo, promete para você mesma: Não me permito chorar novamente por isso! Não me permito implorar amor! Não me permito lutar por algo que há tempos já morreu! Vai continuar doendo mas teu passo vai ser firme agora, a culpa não foi sua, você se doou, se entregou, perdoou e não tem culpa de desistirem de/por você. Lá fora o sol está lindo e você precisa só abrir a cortina para ver, levanta, toma um banho, passa uma maquiagem e vai! E se doer, pensa que isso tudo serviu para te fazer menina mas com a coragem de mulher.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Não fizeram planos. Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex, que ambos eram meio bruxos, meio ciganos, assim meio babalaôs. Talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem juntos para Paris, por exemplo, Praga, Pittsburg ou Creta. Talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada. Porque era cedo demais e nunca tarde. Era recém no início da não-morte dos dois.

Depois de agosto - Caio Fernando Abreu

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Quando o amor foi buscar um canto aquecido.

Esse texto nunca será bom quanto os anteriores e os textos que estão por vir também não serão bons o bastante, porque nós nos perdemos em uma curva qualquer, nós nos perdemos quando você soltou minha mão para ficar mexendo no celular. E eu doei todo o meu calor, doei todo o meu amor achando que seria o bastante para que nós dois dividíssemos e não desistíssemos, só que não adiantou, você estava ocupado demais com qualquer coisa banal. Quando pela última vez pedi para você olhar para mim, você estava querendo dar amor para outra pessoa, outra pessoa que pelo seu tom de voz rude, aceitei ser mais valiosa que eu e como sempre lhe falei, não aceito metade de você, sou muito mais amor que essa metade e para ver se você olha para mim, te digo, quem estava ai do seu lado quando você não olhou, era até então o que você dizia ser o amor da sua vida. Eu já não acredito em amor da vida, deixei de acreditar quando você trocou o amor da sua vida, por um celular, ainda com a alegação "é fulano!", ok, fulano, fique feliz, você é mais importante que eu, que estou aqui nesse supermercado, com os braços cheios de compras esperando ele digitar uma frase qualquer no celular, você não pode esperar, eu posso.
Hoje você não vai perceber o que foi tudo isso, hoje você não vai perceber o poder das suas palavras e das suas frases. Hoje você não vai perceber que tudo aquilo que me disse nos últimos dias só serviram para eu me afastar, você não vai perceber que quando me apontou defeitos, não me fez menor ao mundo, apenas menor do que aquelas pessoas que você diz coisas tão lindas diariamente e isso diminui apenas o amor, poda o amor. Hoje você não vai perceber o quanto matou o que sinto, ao deixar o livro que te dei perdido em uma estante e agradecer com frases tão lindas aquele que ganhou de outra pessoa. Da mesma forma que você disse devorar esse livro, devorou algo bem maior aqui dentro. E talvez hoje você não aprenda a cuidar do amor que está do seu lado e valorizar aquilo que não pode, de jeito nenhum, ficar perdido em uma estante. Estava do seu lado! Do seu lado! Mas você deixou ir embora e nem percebeu.
Eu sei que você nunca irá agradecer por eu ter entrado na sua vida, muito menos por acalmar seu choro quando se sentiu um inútil, você nunca irá agradecer os concelhos, o apoio, o amor...
E é por isso que o nosso amor se despediu de nós e foi pra longe, onde possa ouvir coisas bonitas e possa ser reconhecido. Ele foi para um lugar que quando ele estiver perto, seja autossuficiente, porque sabe que o tempo que está amputado da outra metade já é grande demais para quando estar junto outras coisas serem mais importantes. Nosso amor foi embora com toda a desesperança do mundo em nós dois, foi se sentindo menor que amores tão passageiros. Foi embora da maneira mais triste, talvez menos dolorosa mas foi por saber que aqui alguém não estava satisfeito com ele.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Eu queria escrever algo diferente hoje, algo que transferisse em letras tudo aquilo que eu sinto por você. Hoje eu gostaria de eternizar nós dois em um papel, para que nem eu nem você acabe deixando o passar dos dias corroer nossas memórias. Hoje eu queria ter uma recordação física de cada um dos mais de 1000 dias que passamos juntos, poderia ser um bilhete de cinema, um fio do meu cabelo laranjado para que nunca esquecêssemos de quando você me chamava de tangerina, uma embalagem daquela antiga marca de cigarro que costumávamos comprar, um rótulo daquela cerveja que bebemos no meio fio na frente de casa, um ticket do mercado de quando compramos ingredientes para fazer pastel ou qualquer outra besteirinha que te trouxesse aqui, mais pra perto de mim, mesmo hoje estando tão longe. Só queria te deixar mais fresco aqui nos meus pensamentos.
Hoje, já não penso mais em você quando estou indo para casa, sei que não vou te encontrar e prefiro não pensar, para não surpreender meu coração com a sua falta ao abrir a porta. Eu já não posso saber de você, não posso te perguntar se comeu ou se seu dia foi leve e isso me dói, dói por saber que nunca vou conseguir explicar o que era te mandar mensagem de bom dia, nunca vou conseguir descrever a tranquilidade que me passava quando falava que almoçou bem, que não colocou muito sal na comida, que pensou em mim e assim como eu, sentiu uma falta de apertar o peito.
Agora, que tudo acabou, te guardo aqui no cantinho, com o mesmo amor e carinho e lutando para o tempo não levar você completamente de mim e como você mesmo tem costume de dizer, meu blog, agora é o único que pode ouvir meu desabafo.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Eu te amo, da maneira mais linda e da maneira mais sacana, eu te amo de todas as maneiras possíveis, assim, simplesmente te amo sem mais nem porquê. Eu te amo mesmo, amo desde seu sorriso tímido até seus momentos de fúria e desordem. Eu te amo, sem escolher, sem pedir, sem me dar conta, te amo sem pressa, te amo desesperadamente nas manhãs de outono e nas tardes de primavera, mas ainda assim amo sem pressa. Por vezes, acho que te amo por ter sido feita para te amar, como se essa fosse minha missão aqui, ainda bem que é algo que não me esforço para acontecer. Eu te amo por inteiro, de dentro para fora, do lado do avesso, eu te amo quando fazemos sacanagem no banheiro, mas também te amo quando planejamos nossa velhice. Eu te amo com vontade, com carinho, com tesão, com paixão. Te amo para mim, não te amo para te dar ao mundo, te amo com egoísmo e com uma vontade enorme de te guardar no bolso do meu casaco. Te amo com ciúme e talvez por isso eu nem saiba te amar direito, isso me assusta, mas ainda assim eu te amo. Te amo com toda a loucura do universo, com toda a esquisitice do mundo. Te amo aqui, enquanto estamos abraçados na cama e te amo lá, correndo na madrugada para te achar.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

A verdade

A verdade é que me acho muito pequena para tudo o que carrego no peito, a verdade é que não cresci e que não amadureci ainda, talvez nem esteja em tempo. Eu me desmancho inteira quando te sinto longe, me desmancho inteira quando vejo seus planos correndo dos meus.
Foi quando eu tinha vinte anos, se é que você me entende. Foi talvez na fase mais imatura da vida, onde você tem sua liberdade total, mas ainda não sabe muito bem o que fazer com ela, quando seu corpo já está completamente formado, mas seu interior está começando a se formar.
Eu tinha vinte anos e uma casa cheia de memórias que sequer faziam parte da minha vida, eu vivia com você e com um fantasma, você nunca entendeu isso. Me lembro bem no dia que sai da casa da minha mãe, eu levei algumas caixas, poucos móveis e uma bicicleta. Nada mais. Chegando na sua casa, que agora era nossa, desencaixotamos minhas coisas. No fundo, eu ainda tenho a sensação de que uma caixa daquelas continua intacta, sequer a fita adesiva foi removida. Nessa caixa estavam planos grandes, como me casar de papel passado, ter seu nome, ter um filho, ter um gato nosso, usar uma aliança, uma lua de mel...
Por isso que hoje me dói tanto, por isso que até hoje me sinto pequena demais. Será que não sou eu quem você quer fazer feliz? Será que você não quer deixar eu usar seu nome? O que falta em mim?
Você sempre considerou meus pedidos bobos, mas eles cresceram a partir do momento que te conheci, cresciam a cada momento que eu senti sua mão suada e seu coração palpitar forte. Eu não tenho culpa, você não pode me empurrar toda essa culpa. Talvez com o tempo esses sonhos morram e você fique tranquilo. Talvez quando eu voltar a pensar nisso tudo, não doa tanto e eu aceite a condição de não ser a sua mulher.
O que eu preciso fazer? O que mais preciso para nossos planos se encontrarem? Me diz, por favor, que eu vou correndo buscar. Se eu te amo e isso é demais, só me diz.
A verdade é que até hoje eu não aceito o fato de ser tão pequena aos seus olhos. Até hoje não aceito o fato de meus sonhos serem demais.