quarta-feira, 14 de maio de 2014

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O amor e uma lembrancinha de R$1,99 não são a mesma coisa. Mas infelizmente ele é tratado dessa maneira muitas vezes, como uma tralha que você compra no Paraguai e quando chega em casa percebe que nunca vai usar na vida ou como um daqueles celulares de 1001 utilidades que logo que o primeiro aplicativo deixa de funcionar ou se torna sem graça, é descartado e desmerecido, mesmo ainda tendo outras 1000 utilidades.
Como qualquer outra coisa, o amor precisa vir com o pacote completo, com dor, cobranças, cismas, queixas e tantas outras que são tão válidas quanto os afagos, declarações, alegrias etc. Se não fosse isso, seria um comercial de margarina, chato... falso.
A comodidade do descarte é encantadora, merecedora para quem ama. Quem ama, precisa ter a certeza de que pode abrir mão do amor a qualquer momento, ser livre sendo preso. O amor é brutal e é fácil reconhecer isso, ele faz você sofrer mais do que qualquer outra coisa pode fazer, é como se você andasse constantemente com uma dorzinha que nunca passa, chega a encher o saco e te fazer rezar para passar, mas quando passa – se passa - você percebe que não é a mesma pessoa de antes e que depois sua vida vai ser outra, completamente diferente.
Quando se ama, se divide, divide felicidades, traumas, medos. E se você não leva em consideração as fraquezas de cada um, acaba tirando um talho muita grande da vida do outro, deixando o trauma virar dois traumas.

Quando você percebe que todas as pessoas, assim como você, possuem seus problemas, começa a aceitar a imperfeição alheia e ajudar a dar a mão na hora de sair do poço das angústias, o amor te faz um bem incrível, mesmo te machucando. Hoje eu sinto que o amor, por muitas vezes acaba fazendo melhor para quem ama do que para quem é amado. O amor te muda dos pés à cabeça, faz você dar de si o melhor que pode, o maior que pode.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Eu te amei desde que os meus olhos de mel invadiram o teu espaço.

No momento em que te conheci, na tua sala 2x2, de janela selada e restrita, travei uma batalha contra a solidão e a morte, pernoitei jogando pôquer com elas e o trato era: Se eu perdesse, não voltaria nem em pensamento, mas caso contrário, as duas teriam de bater em retirada sem nem ao menos olhar para trás. No fim, eu ganhei.
Mas a batalha não terminou por ai, lutei diariamente. Acendi a luz e com um pano feito da minha própria pele, tirei o pó do seu corpo inteiro enquanto você lutava contra a minha presença, me expulsou diversas vezes, mas eu não me rendi, lutei por você e prometi te guiar por toda a vida.
Não foi fácil, chorei por diversas vezes, mas persisti com o peito latejando e com as forças se extinguindo, permaneci com a bandeira do amor em punho, pois sabia que somente assim me sentiria viva.
Passei dias e noites esvaziando gavetas, retirando o pó, pintando as paredes, mudando o lugar dos móveis, trocando as cortinas... Isso tudo me machucou, me feriu, meus dedos sangraram, meus olhos relutaram, inalei poeira, me sujei inteira... doeu. Mas consegui te tirar da penumbra, te aquecer com o sol que estrategicamente fiz entrar na sala, fiz você respirar o ar puro...
Eu cheguei sabendo o que eu queria, sabendo que te queria, independente do que quer que você fosse. Te tirei de uma prateleira empoeirada. E assim, página por página, lendo e relendo, me machucando nas histórias, em um esforço descomunal a cada dia, rasguei uma página de você e no verso da mesma folha tentei reescrever nossa história. Tentei.
Quando tudo estava pronto e reordenado, quando suas forças estavam no máximo, você decidiu então continuar a história sozinho, em um livro com apenas um autor e um personagem. Dessa vez eu não tive escolhas, não pude permanecer, mas não por cansaço meu e sim por escolha tua. Te tirei de uma prateleira empoeirada para você seguir seu caminho e me deixar cuidando da sua sala 2x2, que já está empoeirada, na penumbra e recebendo constantes visitas da solidão e da morte.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

καρδία


Você fez do local mais desagradável sua morada, alicerçou-se sob minha caixa torácica e entre meus pulmões negros da fuligem do cigarro barato. Você não se importou em dividir espaço com uma tal de angina e muito menos quando inúmeras vezes te falaram que seu lar parece um punho fechado... cheio de sangue.

Quando te conheci, logo percebi que era do tipo que adora fazer graça, sempre disse que gosta da diástole e da sístole, elas são montanhas russas descendentes de italiana, segundo suas palavras.
Já lhe alertei que não sairá tão fácil dessa casa, está tão acostumado... é um local protegido e tudo, mas mesmo quando tiver vontade de deixá-lo, não irá ser fácil, quem sabe com um punhal no local correto, ou um congelamento total, como casa de papai noel em alta temporada de natal.
Não esqueça que eu estou lhe alertando, não quero que diga que fui trapaceira. 


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Eu não sei lidar com isso

Isso chegou em nossas vidas como um vendaval, deixou os destroços ainda mais bagunçados, mais destroçados. Talvez seja pela intensidade de tudo, que eu não saiba lidar com isso. Pode ser pela minha imaturidade, coisa que você vive falando que eu tenho de sobra. Talvez minha falta de maturidade seja pela minha pouca idade, sou uma menina mimada que enquanto você já estava trepando por ai, eu não sabia nem limpar a bunda ainda. Mas não podemos esquecer que o fato de eu não conseguir lidar com isso pode ser culpa sua também, não sou eu quem está errada sempre - só estou errada 99% das vezes. Você é culpado por me estimar demais, achar que uma menina como eu pode carregar areia nas mãos sem deixar escorrer por entre os dedos. Eu sou fraca sim e isso não é de hoje. Estou acostumada, sempre levei porrada, levava porrada na escola, levava porrada em casa, na rua... Acabava sempre de cabeça baixa, sempre achando que merecia as porradas que a vida me dava. Essas porradas me deixaram fraca, minhas forças se esgotaram, vai ver é por isso que eu não saiba lidar com esse monstro de proporções gigantescas. Eu sou rancorosa, sou mimada, sou infantil e é por isso que acabo inventando amigos imaginários, meus 20 melhores amigos estão em um maço de cigarro.




quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

(...)


(*) Tomei de arroubo o teu espaço para me vingar do que tu fizeste comigo. Afanei o teu login, surrupiei a tua senha, só para descontar nem que seja uma partícula de átomo, do que tu fizeste em mim. Roubaste-me por inteiro, disso tu já sabes, tangerina. Eis aqui um poeta prisioneiro do teu amor, e que para o mínimo de vingança, astuto, fez do teu espaço dele, por um instante, que seja. O que mais poderia fazer? Forças já nem tenho pra lutar! E quero?! Sou teu, é fato.




Eu te amei desde que os teus olhos de mel invadiram o meu espaço.
Meu pequeno espaço. Uma sala 2x2 de janela selada e restrita com a placa:
"Aqui ninguém entra, ou fica à vontade".
E você quebrou as trancas enferrujadas corroídas de lágrimas ácidas e pernoitou jogando pôquer contra a solidão e a morte. O acordo era que se você perdesse não mais voltaria ali, nem em pensamento, mas caso contrário, as duas teriam que bater em retirada sem nem ao menos olhar para trás. Preciso dizer quem ganhou?
E você acendeu a luz, e com um pano feito de sua própria pele foi tirando o pó do meu corpo inteiro. Confesso que no começo eu tentei te expulsar várias vezes. Sentia falta das minhas sórdidas companheiras. Apagava a luz sorrateiramente para você se perder ou se cansar e querer sair dali, foi em vão, você mais e mais permaneceu, fincou os pés e ali se plantou. Linda, até mesmo com o suor na testa e o cabelo cor de tangerina todo desgrenhado.
Foi difícil, eu sei, mas você persistiu, e persistiu, e chorou, e novamente chorou..., mas você mesmo com o peito latejando, e as forças se extinguindo, permaneceu ali, com a bandeira do amor em punho, intensificando o que acreditava e que te fazia sentir mesmo assim, viva. Foi difícil e ainda é.
A luz que refletia dos teus olhos resplandeceu e iluminou todo o compartimento, foram dias e noites esvaziando gavetas, com os dedos sangrando e os olhos relutando. Retirou o pó, porém inalou a poeira, pintou as paredes, mas se sujou inteira, mudou o lugar dos móveis, ganhou machucados extras, trocou as cortinas, deu uma nova roupagem e cores vivas a todo o ambiente, isso tudo doeu, e choraste tantas vezes. Fez-se morada a esperança, porque meu coração se fez em cor, saca? Hoje não há penumbra, não há escuridão, o sol aquece cada canto da sala, o vento canta e dança com as cortinas, e a tua presença marcada pelo teu cheiro se misturou permanentemente em mim.
Nessa invasão, você chegou assim, já sabendo o que queria, que me queria, independente do que quer que eu fosse. Tirou-me de uma prateleira empoeirada, -- confesso que imaginava nunca mais sair dali. E assim, página por página, lendo e relendo, se machucando nas histórias, em um esforço descomunal a cada dia, rasgavas uma página de mim, e no verso da mesma folha reescrevias uma nova história, e ainda reescreves, ponto a ponto. E nas tuas mãos me faço um livro de pequenas grandes coisas, momentos que valem a pena pelo fato de que são nossas memórias misturadas e convividas.
Sou teu livro, que dia a dia reinventas, nós dois sabemos disso. E hoje sou um novo título, novos parágrafos, novas frases, novo enredo, em tua escrita sou pontuação cadenciada, um mundo de sonhos e fantasias que se fazem nossas, só nossas. Teu livro. Sou teu livro.



P.S.:  À escritora que me escreve em sua vida. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O que mais poderei escrever para poder regurgitar em forma de palavras o que guardo comigo? Eu sinto uma vontade sem fim de colocar todo o caos para fora mas não posso, não consigo, me sinto uma total inválida. Queria contar para você todas as minhas ânsias, todas as minhas vontades. Queria falar sobre seus olhos e a forma que segura minha mão com força. Queria falar do sossego que me faz sentir e do tom da sua voz... ah, como o tom da sua voz me agrada de uma forma infinitamente impronunciável. Eu sinto muito por falhar todas as vezes em que quero te dizer tudo isso, o máximo que faço é dizer coisas sem nexo e abstratas. Meu amor por você é abstrato, não tem como defini-lo fielmente. Isso tudo deve acontecer pelo fato de meu coração já ter sofrido várias quedas, ele vivia aos tombos e você fez questão de cuidar dele com carinho e atenção, você fez ele ficar totalmente recuperado mas agora ele está confuso, está com a cabeça fora do lugar, não consegue entender como pode existir uma alma tão caridosa, com tantos cuidados e que não veio causar o que todas as outras vezes fizeram por ele.O coitadinho estava acostumado com mazelas, acreditava estar fadado a desgraça. Vou mandá-lo pra terapia, quem sabe assim ele entenda as suas reais intenções e pare de achar estar vivendo em um conto de fadas.



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013