terça-feira, 14 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Nunca Conheci quem Tivesse Levado Porrada
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão princípe - todos eles princípes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Quem contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?
Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão princípe - todos eles princípes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Quem contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?
Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
domingo, 5 de agosto de 2012
O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
- Pablo Neruda.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Isso não é uma despedida.
Você não irá voltar aqui, não vai pular o muro para ver minha cara de susto, não vai correr pela cidade para me encontrar do outro lado, desistirá de sofrer por bobagens, viverá sem regras, viverá do seu modo, sem ter que suportar alguém dizendo o que tem ou não que fazer, o que deve ou não comprar, que roupa deve ou não vestir. Sem regras, sem tempo delimitado para fazer ou não o que querem que você faça.
Eu não aguentei sofrer, você sabe, nós sabemos. Na verdade nós sabíamos que eu não teria força suficiente, eu nunca vivi algo tão intenso, eu tinha que entender, você deveria ao menos compreender. Eu sou assim, efusiva, quero tudo para ontem, espero que as pessoas se declarem da forma que eu faço, que demonstrem o mesmo nível que eu demonstro, que vivam e sintam com a mesma intensidade, mas eu sinto ao extremo, eu amo incondicionalmente, eu amo sem fronteiras, sabe? Para mim, eu penso na vida, cara... só temos uma vida, a possibilidade de se encontrar um amor de verdade é rara, para não dizer impossível, o que eu menos desejo nessas horas é ser obrigada a ficar longe de quem eu amo, aceitar que me tirem um amor tão puro. Eu posso me afastar, mas não aceito essa condição. Se for para amar, que seja para viver da mesma forma que eu sinto.
Eu sofro a cada segundo, em cada respiração, eu que não me imaginava viver sem, acabei tendo de me obrigar a suportar. Eu sinto falta e sei bem falta do que, eu tenho plena certeza que um faz parte do outro, saca? Como não sentir dor ao arrancar uma parte que mora em você, fez seu ninho, criou raiz e agora é levado para qualquer lugar longe.
Espero que possamos viver dias melhores, que a falta seja superada, que nem eu, muito menos você sofra por um tempo muito grande, que a gente ainda consiga passar pelo corredor sem ter aquela vontade de abraçar, sabe? E que vontade...
Eu, com toda sinceridade, só penso em olhar mais um vez bem no fundo dos teus olhos e dizer o quanto te amo, para que você nunca esqueça, para que tenha certeza, ou só para tentar fazer você sentir que eu tentei até onde pude, eu sou fraca, mas lutei. O meu amor por você fica, só quero que entenda isso, eu nunca tive tanta certeza do que sinto, nunca tinha entendido que para amar não basta estar junto, agora eu sei, só não esquece isso, tá?
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Cheguei até aqui para ver você desistir. (Escolhendo um bom título, mas que não seja repetitivo).
Meu bem, podes juntar todo seu leque de conhecimentos literários, e todos aqueles amores modelo que existem por ai, pegue-os e os coloque em uma balança, para ver quanto pesa meu amor por ti. Na verdade, nem juntando tudo, nem pegando os maiores amores que já conheces, nem assim irá saber o peso do meu amor.
Some todos os amores que houveram em Macondo; junte com o amor que Dorian sentiu ao ver Sibyl Vane encenar; coloque junto a paixão ardente de Fiorentino e Firmina; o fascínio do proibido vivido por Winston e Júlia; e as obsessões de Bandini? Elas são poucas perto do tamanho; e acerca do afeto que sinto, lembre do amor filial que transpirava dos poros de Holden Caulfield quando falava de Phoebe, até esse fica pequeno.
Os autores de todos esses romances não conseguiriam entender nem uma vírgula do que eu sinto, nem um pequeno pedaço, vida. Eu digo mais, nem o Vampiro de Curitiba consegue sentir o fervor que eu sinto nas veias, isso mesmo, ele não faz ideia do que é desejar alguém, no sentido sexual ou não.
Nas luzes perdidas e no vazio da escuridão, a mulher do primeiro cego, quando viu o marido com a Rapariga dos óculos escuros, não fez nem ideia do que é saber o amor perdido de quem você ama de verdade, eu sei. Arrogante, mas sei.
Perto do que eu sinto, na verdade Carlos nem amava Dora que jamais amou Lia que pensava que amava Léa que tinha paixonite por Paulo que mal tinha admiração por Juca... Ninguém sente de verdade o que sinto.
Acha pouco ainda, certamente. Mas e se eu juntar Capitolina e Bentinho? Isso mesmo, vou colocar ali no meio Capitu e Bentinho, porque pra mim, não passou de brincadeira essa história, não querendo desmerecer nem nada, mas é que é pequeno! Muito pequeno!
Augusto e Carolina; Luísa e Basílio... e todos esses casais conhecidos são pouco.
Não da para dizer da imensidão, vida. Mas posso sentir. E jamais poderei descrever. Determinadamente oscilante, porém, cantando. Teu amor me deixa aqui cantando, existindo, por si só. Perto ou longe.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Gosto de cereja.
Tenho o péssimo hábito de tentar adivinhar o que está escrito em uma mensagem, sem antes abri-la, existem algumas pessoas que são completamente previsíveis. Mas acontece que depois que o conheci, acabei falhando quase todas as vezes, o que acaba lhe fazendo ficar com um ar de indecifrável, excêntrico, totalmente ao avesso. Essa é uma das características que me encantam e que apenas você consegue ter.
É por isso que todos os dias nosso amor se renova, nunca caímos naquela mesmice dos casais comuns, nos fortificamos cada dia mais, a cada minuto que me sinto sua, só sua, sinto também que dentro de ti, existe uma infinidade de barreiras para passar e coisa a descobrir.
Mesmo me contando diariamente um leque de (até então) segredos, sinto que sempre guardas para mim, um pingo de fatores inacessíveis para posteriormente me encantar ainda mais, como se cada vez que eu devorasse a cereja que fica sobre o glacê, você fosse com sua calma magistral e recolocasse outra no lugar.
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