segunda-feira, 23 de abril de 2012

Te amo como as begônias tarântulas amam seus congêneres, como as serpentes se amam enroscadas lentas algumas muito verdes outras escuras, a cruz na testa lerdas prenhes, dessa agudez que me rodeia, te amo ainda que isso te fulmine ou que um soco na minha cara me faça menos osso e mais verdade. Hilda Hilst

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quinta-feira, 19 de abril de 2012

E eu que tantas vezes passei de cabeça erguida por cima do amor, pensei com meus botões: "Dessa água não beberei", triste engano, pois o que me ocorreu foi que bebi mais uma vez e estou mais uma vez aqui, me afogando com a água que neguei. Me sinto tão perdida que meus dedos já não encontram o fim do poço e fico nessa bolha, flutuando e esperando o momento que ela estoure - como sempre ocorre - e eu fique sem ar, totalmente sem âncoras. Por vezes me pego pensando em teu abraço, teus beijos e lembrando o quão doce é seu cheiro, conto as horas para poder te ver, coisa de adolescente mesmo, mas não consigo evitar, você me deixou assim e agora já é tarde para me arrepender, desistir ou coisa que valha.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Meia palavra

Não me venha com essa história de que meia palavra basta. Preciso de pessoas que falem, gritem, digam o que querer sem ter medo de qualquer coisa, meia palavra não basta, não entendo de onde vocês tiraram isso, meia palavra é o que sai da boca de meias pessoas, pessoas por inteiro possuem um vocábulário vasto e não se contentam com meia palavra.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ontem, hoje, amanhã.

Parei de me importar tanto com as coisa e hoje, quando acordei, me senti mais leve, sem a culpa de querer saber o que vai ou não dar certo, acho que consegui alcançar o estado de paz total com o momento, que é quando você entende que aconteça o que acontecer, uma hora vai dar certo e se não der você supera, olha para a frente e começa tudo mais uma vez, outros amores, outras dores.
Joguei para o ar um véu fino, o qual deixei cair sobre os sentimentos mais sombrios sobre o que pensam e sobre o que vão pensar de mim e entendi que apesar de qualquer coisa, vou parar de esconder o que sinto pelas pessoas. Comecei a mudar no momento em que disse pra ele o quanto gostava dele e ele deu total ênfase no "gostAVA", pois é, falei no passado, já que esperei por anos e no momento certo percebi que tudo aquilo nem era "AQUILO"! Continuei mudando quando deixei escapar sem querer o quanto gosto de outro alguém e sabe de uma coisa? Tirei um peso gigante das costas, o fato de esconder estar apaixonada por medo do 'outro' fugir de medo do quanto você 'gosta' é uma besteira, se não der certo pelo menos vou dizer feliz da vida que vivi o momento, apesar de não parecer muito certa quando disse que não me importava depois de ele dizer que não era a hora, mas mal sabe ele o quanto eu compreendi, o quanto gostei quando ele falou isso, afinal, ele fez como eu, falou o que estava sentindo no momento, e é isso que eu quero, não quero alguém que faça planos para o futuro sem pensar no presente.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Quem convive bastante comigo já percebeu que as vezes ocorrem alguns devaneios em minha mente e sabe-se lá por que eu me distancio da terra por alguns segundos. A questão é que em uma dessas minhas 'visões da Raven' eu acabei ocupando o universo paralelo por alguns segundos a mais, e hoje quero compartilhar com vocês minha viagem.

Tinha uma época da minha vida que eu tentava agradar as pessoas, não sei por qual motivo, mas eu sempre tentava ser educadinha, não falar besteiras, grosserias e palavrões, até que um dia me deparei com alguém que era tão perfeitamente perfeito que eu peguei nojo de tentar ser assim, comecei a achar pessoas meigas um saco e logo, mudei minha personalidade que demorou anos para ser construída. Hoje sou rude, uso e descarto sem medo de dizer, é o que eu sou sem fazer esforços, não consigo permanecer ao lado da mesma pessoa por várias horas seguidas nem ver os mesmos rostos várias vezes em uma semana, quando falta assunto falo de qualquer coisa, não me importo mais se vou agradar ou não, no fundo eu estou mandando tudo se foder, mas meu sorriso continua estilo playmobil.
Na mesma época em que eu estava tentando agradar as pessoas, eu vivi um momento bem crítico quanto a escolha de gostos, qualquer pessoa que aparecia e eu me identificava, acabava como uma esponjinha, sugando tudo o que ela conhecia e me fazendo ser ela, por exemplo: Se você falasse que gosta de ouvir Los Hermanos, lendo Paulo Coelho e comendo uvas passas, eu diria que gosto da mesma coisa e pior, mesmo odiando Los Hermanos, Paulo Coelho e uvas passas, eu passaria a aderir tal dieta (eca). Definitivamente eu agi como uma mediócrezinha de bordel barato, isso aconteceu até eu achar um ser que sofria do mesmo problema que eu, o pobre se fazia passar por mim, mas na versão masculina e com pêlos, ele dizia que estava apaixonado e todas essas merdas, até que eu falei que não aguentava uma Jhennyfer versão masculina e que era uma merda não poder discutir ou ouvir a pessoa falando mal (saudavelmente) do que você gosta. Foi depois dessa maldita experiência que eu percebi que não quero alguém que se passe por mim, sério, já sou um porre.
Eu estava com medo, não sabia mais o que queria, não entendia como funcionava essa história de amor e tudo isso, até então que na minha visão (calma, já chego o ponto) foi que tive um pensamento sinistro.
Quando entrei em férias fui ao mercado com a minha mãe, pois a pobre não sabe escolher comidas que não passem do convencional arroz, feijão e ovo. Mesmo não parecendo, eu gosto bastante de frutas, especialmente de morango, banana e mamão. Quando fui escolher o morango e a banana a tarefa foi fácil, banana sempre tem e morango estava na época, já mamão eu tive que escolher bastante até conseguir achar dois que davam pro gasto, chegando em casa, eu os coloquei em cima de uma fruteira, percebi que tinha um que estava amassado bem de leve mas que o outro estava com uns buracos pretos e feios, mas até ai tudo bem, pensei: mais tarde eu faço um pra mim e já deixo o outro preparado pra minha mãe, normalmente é isso que faço, mas naquele dia foi diferente, eu fui assistir a sessão da tarde e acabei dormindo no filme inteiro, quando acordei minha mãe tinha feito o que eu tinha planejado, o meu estava do jeito que eu como, cortado em cubinhos e com açúcar, ela colocou na geladeira para ficar um caldo grosso de açúcar, então lembrei do mamão estragadinho e fui ver o dela onde estava, como conheço seu gosto, sabia que ela deixaria o mamão embalado em plástico no congelador para depois fazer suco ou vitamina, quando peguei tive a sensação mais estranha do mundo, percebi que ela tinha ficado com o mamão feio e então compreendi o que era amor, eu sou o oposto da minha mãe, ela é doce e delicada, eu sou... assim. Mas o amor é maior que isso tudo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011




Não é que eu esteja cansada da vida, mas é que eu preciso apenas de um motivo para levantar da cama todos os dias, seguir em frente e saber que tenho pelo que lutar.




sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


Estava mais uma vez lá, parada esperando que algum milagre divino acontecesse, não sei por que, mas sempre volto ao mesmo lugar. Dessa vez estava tudo diferente, estava segurando uma garrafa de Whisky em uma mão e na outra um cigarro desses do Paraguay que nem advertência do governo tem, e olha que eu nunca fui de fumar, mas é que a dúvida, o medo e o amor me consumiam a ponto de eu ser obrigada a fumar.
Eu sabia que você não ia aparecer, mas eu esperava, chovia forte e tudo o que eu enxergava era umas mechas de cabelo caindo por cima dos olhos e uma praça vazia, só eu.
No fundo não queria te ver, sei que se te encontrasse seria difícil olhar em seus olhos, não queria que me visse mais uma vez assim, desse jeito, jogada. Da sua boca, conseguia prever tudo o que sairia, falaria do meu cabelo sem lavar, das minhas roupas, unhas e sapatos, diria que o álcool me consumiu e que não sou mais a mesma pessoa e que por esse motivo, apenas por isso, não iria mais voltar atrás, como se não soubesse que sou o que sou por sua culpa, querendo ou não, a culpa é toda sua, afinal, quando te pedi pra ficar, você não me ouviu e me deixou.
Agora estou aqui, sou obrigada a ouvir tudo o que já sei, sou obrigada a deixar tudo de lado, mais uma vez.

Caminhei um pouco por entre as árvores, agora a chuva já era mais fraca, mas de qualquer forma chovia forte dentro de mim, minha alma estava suja dessa chuva ácida. Mais a frente avistei alguém, como sabes, meu problema de miopia anda agravando, acho que é a idade ou coisa que valha. Andei lentamente para o ser que estava ali parado, não conseguia me mexer muito rápido, além de meus sapatos estarem uns três quilos mais pesados de lama, meu corpo parecia se diluir a cada passo que dava. Quando finalmente cheguei, senti o cheiro de flores e velas, que sempre sinto e isso não é brincadeira. Senti que ia cair, mas como sempre, me agarrei ao fio invisível que a vida me lança, todas as minhas forças se foram quando soltei a palavra que estava entalada na garganta fazia tempo, juro que tudo o que queria dizer saiu como um berro sussurrado, a força era de um grito, o tom era de uma voz velha e fraca e todas as palavras dançaram no ar como se fosse um circo de terror, limpa e tenebrosa: P.A.I!