"O intervalo é a hora em que você vive.
E quando você vive geralmente desiste.
É por isso que nunca te deixam parar.
Até nos filmes os intervalos são entupidos.
Cheios de produtos pra comprar.
Coisas pra engolir.
Gente pra querer.
Música bonita.
Felicidade.
O intervalo é a hora em que você sabe.
E quando sabe geralmente para.
É por isso que nunca respirou.
Só colocou ar pra dentro e pra fora.
O intervalo não é coisa de deus.
Porque deus tem controle remoto.
Mais de duzentos canais.
Incluindo os de putaria.
E você só uma tela preta.
Em que imagina sua vida
Sem poder mudar de canal.
Nem parar. "
-Os Funerais do Coelho Branco.
terça-feira, 6 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça.
(...) No final, ela vence, pois desde o nascimento esse é o
nosso destino e ela brinca um pouco com sua presa antes de
comê-la. Mas continuamos vivendo com grande interesse e
inquietação pelo maior tempo possível, da mesma forma que
sopramos uma bolha de sabão até ficar bem grande, embora
tenhamos absoluta certeza de que vai estourar.
Bom começo de livro, não é mesmo Schopenhauer?
sábado, 3 de abril de 2010
Sabe, eu entendo pouca coisa de algumas coisas, conheço um pouco da minha cidade, li algumas obras de Kafka, entendo de filosofia, já viajei para fora do Brasil (sim, paraguay), já estive em 7 estados brasileiros, já ouvi muitos tipos de músicas, já beijei meninas, chorei por meninos, briguei por amigos, li literatura francesa, já estudei vocabulário, o verbo 'to be', já olhei minha saliva no microscópio, já 'decorei' que micro-ondas tem hífen e que filtro solar é extremamente bom pra saúde, já virei madrugadas estudando sobre o romantismo, já fiz questionamentos a andarilhos, já andei descalça na lama, já mandei cartas de amor, já emprestei algo a alguém com a intenção de ve-la novamente, já dormi em uma casa flutuante no rio Teles Pires, já amei quem não devia, briguei com quem me ama, já andei de skate, bicicleta, roller, rolimã, avião, ultraleve, barco... já bebi até vomitar, já comi formiga, já fui 'atacada' por uma taturana oblíqua, já tive infecção urinária, tenho amidalite crônica e gastrite, mas apesar de tudo isso, eu ainda não encontrei a cura para esses suspiros constantes.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada.
Caio Fernando Abreu
Recesso o caramba!
Chega de datas comemorativas! Quinta feira santa? Nunca ouvi isso, as pessoas só estão atrás de uma rede na varanda e um acarajé, ainda me perguntam se eu vou trabalhar na quarta feira, e eu sempre digo "Me dê um bom motivo para não ganhar dinheiro". Não sou muquirana, só acho que ficar adicionando recessos no calendário não faz bem para ninguém, hoje tentei ir na agência de viajens para programar uma viagem de final de ano, e acredita... estava fechada! Já não basta os servidores públicos e os comedores de acarajé? (Nada contra, até porque todos sabem que quando se faz letras se tem uma grande chance de ser servidor publico). Mas uma coisa eu digo, hoje eu estou trabalhando e não caiu pedaço, amanhã, no feriado não vou trabalhar, mas sábado não é santo, certo? Eu vou trabalhar no sábado! 'hunf'
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