olha, estou escrevendo novamente e já aviso que não adianta concluir nada sobre isso, essa não vai ser uma indireta em forma poética e muito menos um desabafo rancoroso. confesso que você deixou mágoas colossais e desproporcionais para meus 1m49 de altura, mas por algum motivo ainda não descoberto essas mágoas já sequer me surpreendem ou me fazem chorar em um domingo tedioso. tenho uma teoria, pode ser que eu tenha encontrado algo que já procurava há um bom tempo. é que eu andei procurando por algo que tinha de sobra dentro do meu peito: o amor. olha só como pode ser engraçada essa história, eu tenho mania de sair louca procurando algo que as vezes está na minha mão, ou sabe quando você ergue os óculos no topo da cabeça e fica horas procurando por eles? eu fiz isso. mas quando me dei conta, enfiei a mão dentro do peito e fiz questão de resgatar o mar de amor que tinha ali dentro, mudei o foco, entreguei esse amor para mim mesma como prêmio de consolação e com nenhuma possibilidade de devolução. eu me obriguei a ser amada, se não foi por você, agora será por mim mesma e nunca foi tão delicioso. andei aprendendo várias coisas sobre amor e na minha cabeça já existem milhares de teorias sobre o que realmente é amar. eu tive que sair de nós para me encontrar novamente naquela menininha de 1m49 que hoje em dia já nem é tão menininha assim.
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
terça-feira, 23 de maio de 2017
Eu largaria tudo. Eu abandonaria minha casa, meu emprego, meus livros, abandonaria meus amigos, minha família, deixaria todo o meu passado pra trás, jogaria fora os jeans e os discos, agarraria forte na sua mão e com o outro braço puxaria todo seu braço para mais perto do meu corpo, fugiria sem documentos e sem previsão de volta, sem dinheiro e sem destino. Se fosse preciso e se me fosse pedido, te esperaria, cuidaria das nossas coisas e esperaria, cuidaria da minha saúde e dos meus cabelos, leria os melhores livros e estudaria um pouco sobre culinária e vinhos. Se você quisesse, estudaria sobre plantas comestíveis ou não, sobre decoração e até um pouco sobre tricô, se me mandasse suas medidas já teria tricotado suas meias e blusas. Aperfeiçoaria meus pudins e aprenderia a fazer o pudim perfeito. Largaria o cigarro, aprenderia mais sobre xadrez, trocaria o cristal pelo mascavo, beberia sociavelmente, não faria fofocas, dormiria 8 horas por noite, colocaria minhas contas em dia... ai, sabe, eu largaria tudo.
terça-feira, 9 de maio de 2017
Me contaram que você anda por aí meio triste e de cabeça baixa, não que você não fosse assim antes de me conhecer, você sempre foi um tanto quanto esquisitinho, mas eu só queria saber se está tudo bem com você. As vezes fico pensando se você ainda dança pela casa sem mais nem menos ou se da gargalhadas lembrando daquela vez que patinou no sabão em pó e caiu. Não quero que perca tua beleza mas também não quero que deixe de sentir minha falta na hora de dormir e nos domingos a noite.
Eu sei que ando meio sumida e tudo, mas vou te confessar que ainda fico meio balançada quando ouço aquele cantor que você gosta ou quando leio o livro de algum autor que sei que você curtia. É uma merda que por aqui ninguém saiba discutir literatura, é uma merda que só você saiba discutir literatura. Ainda estou aprendendo a aceitar isso, um dia consigo.
Não esquece de mim, tudo bem? Nem do meu cheiro, nem do meu olhar psicótico.
Eu não esqueço, tanto que ainda te abraço no frio, te dou aquele beijo na nuca antes de dormir e até te sussurro uns conselhos no pé do ouvido, mesmo sabendo que ouvir conselhos nunca foi teu forte.
Eu não estou com o intuito de escrever uma carta de despedida ou um bilhete clichê suicida. Só quero te pedir pra esperar a primavera chegar e correr pro quintal quando a chuva chegar, quero te pedir pra ir pra casa planejando fazer um jantar maravilhoso com alguma comida mirabolante que você faz e acaba ficando boa. Quero te ver lendo poemas e contos em voz alta e só parando pra dar mais um trago no cigarro, aliás, falando em cigarro, compra uma droga de uma carteira de marlboro e para de se privar de tanta coisa, para de viver uma vida onde ninguém reconhece o quão foda você é, para de se sacrificar tanto. Vai e escolhe a melhor Marta Rocha na padaria, porque eu sei que não vai ter alguém pra fazer isso por você.
Eu não acredito mais no nosso reencontro, mas ainda guardo tudo com um tanto bem grande de carinho, tento não pensar nas merdas que você fez, mesmo as vezes sendo inevitável lembrar. É que no fundo, mesmo com tanta merda e tanto rancor, eu daria tudo pra chegar na nossa casa com a melhor Marta Rocha da padaria nas mãos.
Eu não quero que deixe sua pena e sua dó para mim, eu não quero e não vou aceitar, leva elas com você que não vai caber aqui. Você não estava lá quando as mangas da minha blusa já estavam ensopadas o suficiente para não conseguir mais secar o choro e a maquiagem borrada. Você fugiu quando meu soluço ecoava por todos aqueles corredores e mesmo assim eu fui embora de pé, sustentada apenas pelas minhas pernas, sustentada apenas por um corpo que muitas vezes parece insustentável e de todas as poucas certezas que tenho na vida, uma delas é a que sou suficiente, eu sou suficiente e consigo seguir em frente com uma dor que deveria ser nossa, mas você deixou que fosse apenas minha.
Eu cambaleei até a minha cama exausta ao chegar em casa, pensei em tudo o que te ofereci, tudo de bom e de ruim, pensei quais eram os motivos que te fizeram me deixar sozinha quando eu clamava baixinho para que você me desse um sinal qualquer de vida e aparecesse só pra me dar um beijo na testa ou perguntar se estava tudo bem.
Eu não quero sua pena e sua dó depois que eu esperei demais por você e você não pode me oferecer nada mais que o silêncio e seu sumiço.
Cada milímetro daquela linha que eu transpassava no pano era pedaços do meu sentimento, enquanto você borda o tecido, sua cabeça está livre para pensar em milhões de coisas e você só precisa aprender a lidar com o que vem na sua cabeça, afinal, hora ou outra você vai pensar naquilo e adiar pensamentos é como se você fosse jogando eles em um quartinho escuro onde precisa entrar vez ou outra para procurar algo que está perdido, se o quartinho não está com a organização em dia, ao abrir a porta, tudo cai em cima de você... além do que colocou lá, ainda tem a sujeira e o bolor do tempo que passou, te cobre, te esmaga.
Enquanto bordava, me lembrava do vestido que usava no dia que precisei ir ao hospital, lembro que naquele momento pensei que nunca mais iria voltar a usar os vestidos do meu armário e que talvez fossem eles que estivessem me dando má sorte na vida. Esses pensamentos me lembraram que ao comprar vestidos novos, preciso escolher menos roupas de tom azul, azul sempre foi minha cor favorita e eu acabava abrindo o guarda roupa e enxergando só peças azuis.
Eu sempre gostei de azul e talvez isso também tenha alguma explicação, azul é a cor mais triste e simbólica de todas, Van Gogh era um tanto quanto azul, Virgem Maria usava um manto azul, na Moça com Brinco de Pérola quase não notamos o brinco e sim os tons azulados que compões a quase perfeição... quase perfeição. O que seria a quase perfe... Furei o dedo.
O vermelho conversa com o azul e o sangue que sai do meu dedo é o mesmo que sangra dos meus pulsos. Posso me furar e manchar todo o tecido, isso não é punição o suficiente para o que eu fiz quando resolvi trocar todos os vestidos do armário.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Caralho, que vontade de te ligar. Que vontade maluca que bate de repente de correr te encontrar, como eram aqueles dias em que íamos tomar quentão na feira de inverno. As vezes a vontade de ouvir tua voz é absurda que parece que vai me consumir, que vai me matar. Eu penso se você também sente isso e, se sente, como é que consegue ser tão forte? Será mesmo que sente?
Que vontade de te implorar mais uma vez para ficar comigo uma noite, mas todas as suas recusas me são motivos suficientes para não mais pedir. Eu leio textos nos tumblrs da vida e lembro que preciso ter auto estima e seguir em frente, vejo aquelas frases clichês de amor próprio e me sinto um fracasso. Porra, me da sua mão, me diz que essa dor aqui dentro vai sumir um dia, me promete que vai dar tudo certo um dia e deita na cama comigo pra falar por horas e horas sobre nada.
Caralho, que vontade de te ligar.
terça-feira, 25 de abril de 2017
Todos os dias da minha vida eu me pergunto: "-Será que um dia passa?". Eu queria ter certeza de que no mínimo um único dia na minha vida você não assombre meus pensamentos ou que simplesmente não acabe com minhas tardes de domingo, afinal as tardes de domingo sempre são desesperadoras e terríveis para mim desde que você partiu. Eu sigo tentando ser o mais forte que posso, uso suas desculpas esfarrapadas para me manter cada dia mais longe de você, tento lembrar dos momentos ruins e condicionar meu cérebro e meu coração a não te procurar desesperadamente por cada canto dessa cidade, me mantenho em constante equilíbrio, se me desconcentrar acabo caindo, mas mantenho também a minha fé, me espelho em casais que recomeçaram e são felizes, me espelho em pessoas que encontraram alguém que quis ficar e creio que um dia encontrarei alguém que fique e que tope a chácara, a lareira e as noites de verão contando estrelas... aqui chegamos em um grande problema, olha meus planos! Meus planos sempre rumam de encontro a você, meus planos ainda gritam por você. Faz um ano e três meses que você partiu e é como se eu nunca tivesse deixado de te esperar, mesmo lutando com todas as minhas forças para poder "seguir em frente".
Seguir em frente.
"Seguir em frente" é uma daquelas frases que me trazem más lembranças, foram inúmeras as vezes que você me disse que estava tentando "seguir em frente" mas eu não estava ajudando. Essa frase me dói mas eu tento também, eu tento seguir e vou dizer com toda a sinceridade do mundo, eu tento com todas as minhas forças. Quando passo por um lugar que me lembra você, viro a cara. Quando me falam sobre você, me finjo de surda. Quando penso em você, tento cantar uma música alegre para esquecer. O resumo da minha vida é tentar te esquecer e seguir minha vida.
Sua vida não tem mais lugar para mim, eu sinto e vejo por suas atitudes que seu amor já não é mais o mesmo e isso me faz chegar ao ponto de quase enlouquecer, eu queria entender porque é que alguém deseja tanto alguém que simplesmente não te quer mais? Eu me lembro de todas as vezes que você foi embora e desistiu de mim, lembro também de todas as vezes que eu te recebi de braços abertos novamente, lembro de como me doía, de quanto me fazia mal, de quanto eu precisava do seu amor e do seu amparo, mas você sempre vinha para ficar pouco. Você nunca quis e essa é a verdade que tentamos esconder. Lembro de uma vez que você disse que "precisava conhecer o outro lado do rio", como que me culpando por ter entrado nesse relacionamento e que se não conhecesse o outro lado do rio, nunca estaria satisfeito ao meu lado. Mas o amor não era para ser o bastante?
Você nunca quis estar, nunca quis ficar e eu fico esperando meu dia chegar, fico esperando o dia que minha vida vai para frente como a sua, fico esperando minha paz sem você, assim como você conseguiu.
Eu tenho um milhão de coisas bonitas para te falar, eu tenho mil declarações para te fazer, mas agora eu só queria ficar em paz.
terça-feira, 18 de abril de 2017
Ela costumava ser sua
Não é fácil lembrar, porque ambos sabemos que não foi isso o que eu pedi e todas as vezes que esse frio me trouxer lembranças de você, será difícil. O medo de não ter mais seu toque, não sentir mais seu gosto, o medo de não te encontrar em casa assim que eu abrir a porta.Eu vou te contar o que talvez você não deva se lembrar:
Ela costumava ser sua
Foi ela quem você escolheu para dividir a cama e suas séries favoritas
Ela é mentirosa
Ela falha
Ela tenta e ela foi até onde você permitiu que ela fosse, mas ela falha
Ela é confusa, mas é gentil
Ela sente a flor da pele
Ela falha
Mas ela costumava ser sua.
Ela costumava ser sua
Foi ela quem você escolheu para dividir a cama e suas séries favoritas
Ela é mentirosa
Ela falha
Ela tenta e ela foi até onde você permitiu que ela fosse, mas ela falha
Ela é confusa, mas é gentil
Ela sente a flor da pele
Ela falha
Mas ela costumava ser sua.
terça-feira, 28 de março de 2017
Me perdoa por todos os cigarros e pelas noites em claro, você talvez um dia entenda como foi difícil para mim. Esse nó na garganta não é por ti e saiba que todas as palavras que eu digo na hora da raiva são apenas raiva, não raiva de você, é raiva da vida, das pessoas, do abandono, das promessas vazias, do meu fracasso... Isso mesmo, é raiva especialmente do meu fracasso e desse meu medo de tudo, medo de como é e de como vai ser. Vai ser difícil, mas vai ter amor pra caramba, não preciso nem te prometer isso.
Eu não vou ser a mãe mais bonita, muito menos a mais inteligente desse mundo mas vou te embalar ao som de Smiths e contar histórias. Eu sou do tipo que coloca a música pra tocar e dança nos primeiros segundos que a ouço, mas juro que jamais vou fazer isso na frente dos outros pra não te causar constrangimento.
Quero deitar na sala, contigo no meu colo e quanto você pegar no sono, te levar para a cama nos meus braços, te cobrir e te beijar.
Vou ficar puta com as noites em claro, vou sentir falta do meu sono preguiçoso de sempre, mas te prometo que vai ter orgulho de mim e da minha força. Eu posso ter todos os defeitos do mundo, mas vou fazer de tudo para te tornar feliz. Um dia você vai entender que cada dia é um dia e que eu realmente precisava de um tempo para ficar bem e te aceitar sem medo nenhum... Ou talvez esse medo nunca passe, mas espero que você possa entender que eu estou dando e sempre vou dar o máximo de mim.
Eu estou te esperando de braços abertos e te desejo toda a sorte do mundo, te desejo toda felicidade e todo o amor do mundo, que nada nunca te machuque.
sexta-feira, 24 de março de 2017
Eu queria te ligar naquele momento e gritar ao telefone, te pedir para ir correndo me encontrar. Queria que fosse um daqueles momentos em que tudo está bem entre nós e eu posso correr te procurar quando o peito aperta. Saí daquele consultório com as pernas tremendo e o coração apertado, morrendo de medo, suando frio, mas firme. Se eu te contar o número de coisas que estavam passando pela minha cabeça, você não vai acreditar. Eu estava a beira de mais uma crise, mais um ataque de pânico, mas como semana passada no supermercado, consegui me segurar e manter a calma. Dizem isso, que situações te dão forças que você nem imagina que possa ter, de repente eu aprendi a lidar com meus ataques de pânico e respirar.
Ao chegar no escritório, te liguei com medo de você não aceitar minha ligação, tive que tentar cinco vezes para ter coragem de falar algo. Meu peito estava doendo, eu carregava em mim todos os receios do mundo. Eu não consegui falar com você, lembrei de todas as vezes que fui tratada como louca e então foi que decidi e tentei falar por mensagem. Estava tremendo.
Na primeira mensagem eu tentei explicar o quão difícil era para mim, você não quis se importar com a minha dor, não quis perder seu tempo mais uma vez com tudo o que eu sinto e me bloqueou antes mesmo de eu poder explicar qualquer coisa.
Eu estou machucada demais, eu sofro demais, tenho forças de menos para lidar com tudo isso e comigo mesma. Eu sei que não adiantaria implorar para me ouvir e ficar do meu lado, me apoiar ou me amparar. Eu sei que não adianta eu implorar, se adiantasse, juro que faria.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
"-Eu sou a Alice, sempre fui a Alice". Foi o que te disse enquanto dávamos mais uma tragada no cigarro. Eu era Alice Ayres, aquela garota de cabelos coloridos e roupas estranhas, que sempre foi menor, trabalhando em uma cafeteria e quem sabe te esperando de uma viagem que você definitivamente não deveria ter feito, ou que deveria ter ficado menos e deixado de pensar um pouco em dinheiro. Eu sempre me senti muito Alice, sempre te pedi para cuidar dos meus machucados, achando que minha juventude te faria sempre querer ficar. Eu fui Alice quando larguei tudo para estar sempre ao seu lado, eu fui Alice quando tirei as cores do cabelo e me tornei a mulher que você exigia que eu fosse, fui Alice ao ter 20 anos e ter que te ver ir dormir com outra todos os dias, fui Alice quando você se gabava da idade das suas novas parceiras, fui Alice quando te implorava para ficar e grudava em você para que ficasse, fui Alice todas as vezes que fiquei chorando enquanto você saia por aquela porta como se eu fosse mais uma qualquer, fui Alice quando pedia para que terminasse de uma forma que não tirasse o valor do nosso amor, fui Alice até o momento que eu não consegui mais acreditar no que me falava: "- Me mostra! Cadê esse amor? Eu não o vejo. Não posso tocar nele. Eu não sinto. Eu te ouço, escuto umas palavras... mas não posso fazer nada com suas palavras vazias."
Eu fui Alice até o momento que percebi que na verdade eu era muito mais Jane Jones que Alice.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
5 de janeiro
Acordei com 13 notificações no celular, fui olhando uma por uma com o coração quase saindo pela boca. Esperei uma mensagem a meia noite mas não teve. Nenhuma das 13 notificações era a que eu realmente esperava, mesmo realmente sabendo que jamais seria. Talvez eu e meu simbolismo com números e datas seja acima do das outras pessoas e talvez no decorrer do seu dia você sequer lembre daquele 5 de janeiro, onde eu estava feliz como nunca tinha sido. Fico feliz por você estar longe e ter conseguido isso, eu não conseguiria e isso ainda é um peso gigante nos meus ombros, me apeguei demais a todas as lembranças que deixamos por aqui.
Eu me arrependo de várias coisas, por toda a dor e sofrimento que passei nos últimos 5 anos preferia não ter te beijado naquele dia 16 de abril, queria não ter te conhecido, mas isso não podemos mudar, escolher, prever... então sou grata, eternamente grata pelas balas de melão, pela mão suada, pela viagem para a ilha do mel e principalmente pelo dia 5 de janeiro de 2013 onde eu digo com toda a certeza do mundo: Foi o dia mais feliz da minha vida, seguindo nossa teoria sobre felicidade efêmera.
Eu te amo demais e torço para que você lembre desse dia da mesma forma que eu lembrei.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
Descendo aquele elevador e pensando quantas vezes já havia me olhado naquele espelho sem me reconhecer. Ao abrir a porta e respirar pela última vez aquele ar com cheiro fresco de citronela, não aguentei e chorei, não sei se de tristeza ou alívio. Aqueles últimos anos foram os mais difíceis da minha vida, foram os mais pesados e eu estava exaustivamente achando um jeito de recomeçar. Quem sabe aquele fosse o momento.
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Eu estou aqui hoje por dois motivos: Falar sobre você sem derramar lágrimas e contar o porque desisti de você.
Meu amor, se é que posso te chamar assim já que em vários momentos teu ódio por mim impedia que fossemos um o amor do outro. Eu encontrei você quando me sentia uma garota normal, eu tinha 20 anos e fazia apenas um ano que estava na faculdade, eu era bem novinha mas sempre fui calejada. Me encantei com seu jeito, com sua inteligência e queria com toda vontade do mundo descobrir mais sobre aquele seu universo. Eu me lembro dos seus blazers e da forma como sempre estava bem vestido, tirando a barra da calça jeans que era feita como calça social e os tênis que você nunca se importou em lavar. Eu te admirava, eu queria te desbravar, eu queria te conhecer até não ter mais esconderijos ai dentro.
Em uma semana estava te fazendo juras e pensando em casar e ter filhos com você, eu era nova, boba, imatura. Assim como o amor chegou derrubando tudo o que estava pela frente, nossas brigas também chegaram. No começa ambos achávamos que era culpa da minha imaturidade e dos meus 20 aninhos mas nossa relação amadureceu, nos casamos. Nessa época eu estava com 21 anos e não tinha nada, só você. Nossas brigas pioraram, eu sentia vontade de me afastar de você mas você me culpava e culpava sempre minha imaturidade por isso. Em um dia você me amava, no outro me odiava.
Você se afastava cada dia mais de mim e eu insistentemente te pedia para voltar a ser o mesmo, pedia para me dar atenção e me levar junto com você quando saía com seus amigos. Esses dias dei uma stalkeada em um dos seus amigos e tinha fotos de vocês em um barzinho, a maioria das pessoas tinha um acompanhante sentado ao lado, assim como eu fazia, te levava para qualquer lugar que eu ia e você conhece todos os meus amigos.
Nessa luta incessante pela sua atenção, eu acabava perdendo a linha, era controladora, estúpida, grossa, te tratava muitas vezes com um ciume possessivo e tinha paranoias absurdas. Eu estava enlouquecendo aos poucos.
Depois de tanta loucura e briga, você decidiu me separar. Eu me lembro de chegar em casa do trabalho e você ter visto vários lugares para morar antes mesmo de me avisar, aquilo me doeu demais. Você chamou suas filhas e foi conhecer casas novas. Eu precisava achar algum lugar mobiliado rápido já que não teria móveis e a casa estava no seu nome, me mudei. A mudança e os dias que se passaram depois foram os piores da minha vida. Você brigou comigo naquele show, não atendia meus telefonemas e me cobrou R$2.600,00 que te devia. Eu precisava te pagar em um mês. Dentre essas cobranças, me lembro da sua voz fria ao telefone, me dizendo coisas que eu não merecia ouvir e que eu jamais esperei ouvir de você. Dessa vez você me pediu perdão, eu aceitei. Logo depois estávamos juntos novamente, mas por pouco tempo. Depois da nossa separação passaram-se 2 anos de idas e vindas, você sempre me mostrando que não tinha certeza se queria estar comigo e isso me enlouquecendo ainda mais, eu te queria de uma maneira cega e burra, só faltava te amarrar ao pé da cama, mas você apenas demonstrava que não queria. Eu precisava insistir para ficarmos juntos, sairmos juntos, dormirmos juntos.
Foi então que você juntou suas coisas pela última vez e saiu de madrugada da minha casa. Eu quis morrer, eu virei só tristeza.
Foram 7 meses, você estava com outra pessoa em menos de uma semana, quando eu percebi que tinha uma garota diferente curtindo suas fotos do facebook fui conversar com você e você falou com muita sinceridade que a garota era uma louca, que quis ficar com você, que te ligou pedindo seu endereço mas que você não deu, porque EU era o amor da sua vida. Lembro da sua voz me falando isso, contando a história com detalhes. Meses depois você deixou escapar que ela havia ido até sua casa, que sabia seu endereço, que entrou na sua casa e que você ficou com ela.
Eu aceitei e como forma de amenizar minha dor, quis me entregar a outra pessoa, eu passei a perceber que outras pessoas me desejavam e que eu precisava corresponder, na minha inocência fui pedir perdão e dizer que agora eu precisava também me entregar a outras pessoas. Imagino que naquele momento você já estava na sua casa rindo de mim, você já estava com outra garota, vivendo outra história. Uma semana depois disso, eu ainda não conseguia realmente me entregar e não conseguia ficar com outra pessoa, foi então que você me mandou uma foto deitado na cama com outra. Meu mundo desabou, eu tinha raiva, ódio de você, não entendia porque me magoava daquela forma, porque queria me ver triste, queria te ligar e xingar. Novamente te perdoei.
Essa última garota ainda não era o suficiente, você trocou ela e já estava com outra, essa era linda, madura, inteligente e tinha filhos, você sempre quis ficar com uma mulher com filhos, para que ela fosse mais compreensível. Ela era tão linda que você quis me mostrar foto, falava do cabelo e do corpo dela com brilho nos olhos. Até que se cansou dessa também e eu... te perdoei.
Eu já estava exausta, cansada disso. Procurei terapia, psiquiatra, acupuntura, floral... Nada resolvia. Eu sentia que realmente estava enlouquecendo. Aquilo tudo era demais para mim.
Foi então que surtei... Eu surtei e você alimentou, me chamava de louca enquanto eu surtava, me chamava de doente. Fui parar na emergência três vezes nesses últimos dois meses, eu chegava lá completamente fora de mim.
Eu decidi que precisava acabar com tudo isso e que precisava me afastar de você, sai, fui pra balada, conheci gente, fiz amigos, tentei incansavelmente voltar a ser o que eu era antes de te conhecer.
Sem mais nem menos, garotas que você ficou começaram a me perseguir, curtindo e compartilhando fotos minhas, aquilo voltava a me deixar triste e a reviver tudo. Fui te pedir para fazer aquilo parar. Depois que foi falar com ela, mudou completamente o tom como falava comigo, me chamou de baixa e chula porque eu estava conversando com outras pessoas, disse que se sentia vergonha por ter ido falar com ela, já que ela disse que nem me conhecia e que eu estava mentindo.
Eu não menti para você nem dessa e nem de todas as outras vezes que você desconfiou de mim, eu tenho convicção do que fiz por você. Claro, eu errei muito em todos esses anos, falei coisas que não deveria e pedi perdão quando me arrependia. Surtei, chorei, tive ciumes e paranoias.
Eu desisti de você porque não posso ser perfeita, não posso ser aquilo que nunca fui. Não posso mudar meu passado, não posso mudar o fato que fiquei com muita gente antes de você, não posso deixar de conhecer pessoas novas apenas porque você acredita que tudo termina em sexo e assim como você faz, de adicionar no facebook para transar, eu também faria.
Você me falou que não tenho respeito por você porque mandei um print onde aparecia uma conversa com um garoto e isso era não ligar para seus sentimentos. Pelo contrário, eu jamais esconderia algo, jamais negaria que conversei com alguém, jamais mentiria para você por causa de outra pessoa.
Suas mensagens de ódio começaram perguntando se eu tinha ranço de você, porque eu disse que ingratidão era algo que me fazia pegar ranço das pessoas, JAMAIS me referindo a você. Eu nunca tive ranço de você mas você na sequencia me cuspiu todo o ranço que tem de mim, me chamando de demagoga, hipócrita, falando que eu sempre quero ficar por cima dos outros, me chamou de déspota, disse que eu te usei, manipulei, me falou que se arrependeu de ter ficado comigo...
Eu sei dos meus defeitos, sei das minhas fraquezas, sei dos meus surtos, das minhas falhas, do meu ciume, da minha mania de sufocar... Mas também sei do meu caráter, sei que nunca dei motivos para ser chamada de tudo isso, sei que já errei muito e te falei coisas horríveis também, mas não foi simplesmente por ter conversado com alguém, como se estivesse cometendo um crime.
Você já disse outras inúmeras vezes coisas assim e eu desisti de ser perfeita ou de passar uma segurança inútil para você, sendo que meu caráter sempre é julgado em qualquer briga.
Hoje, depois de ler todas essas coisas, seria falta de amor próprio dizer que amo alguém que fala essas coisas. Eu sinto um carinho por você, por ser o primeiro que me entreguei completamente. Mas sinto muito, você matou qualquer admiração que eu poderia ter por você e sei que eu sendo tão hipócrita, demagoga, déspota, baixa... você também não deve sentir um pingo de admiração por mim. Agora ficou fácil nos largarmos de vez, você conseguiu.
Ps. Não derramei uma gota de lágrima.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Vitamina de abacate e bolo de abacaxi
Era dezembro e eu sei que em dezembro faz sempre tanto calor, eu te acordava ou acordávamos juntos, não consigo me lembrar ao certo, só lembro da sua insistência em abrir a cortina e a minha insistência para aproveitar o resto da manhã na cama, sem nenhum compromisso, você sempre foi teimoso demais. Levantava, abria a cortinha enquanto eu continuava deitada vendo as partículas de poeira dançarem no ar, eu sempre adorei as partículas de poeira contra a luz, desde que era menina do interior do Paraná e deitada na cama, com as pernas erguidas na parede, admirava a poeira pairando enquanto minha mãe gritava para eu levantar logo da cama.
Era dezembro e eu vivia completamente feliz na nossa vida sem luxo em uma apartamento apertado de móveis cheios de cupins. O calor fazia o cigarro apagar, pela força do ventilador que deixávamos ligado 24 horas por dia e você repetia sempre a mesma frase: "Você sempre faz esse cigarro apagar". E eu sempre achei graça nas suas frases que eu tinha que ouvir repetidas vezes, eu sei que foi em dezembro e que logo não vou me lembrar de todas as frases e de todos os nossos domingos deitados na cama mole de colchão duro.
Era dezembro e sentávamos no chão, com uma calculadora, canetas, marca texto e com nossos cadernos de anotar, fazíamos nosso planos sempre tão difíceis e tão apertados. Eu sorria, porque no fundo acreditava demais que daria certo. Guardávamos nossos sonhos nas nossas (agora só suas) pastas e voltávamos a viver nossa vida de compra de mercado contada e felicidade ao sobrar para um pacote de bisnaguinha. Eu sempre odiei bisnaguinha.
Daqui a pouco dezembro chega, o frio está já quase indo embora. Em dezembro eu quero conseguir abrir as cortinhas, até lá não vai ter mais cigarro apagado no vendaval do ventilador. Eu espero desesperadamente dezembro chegar, o calor chegar, porque lembro que em dezembros passados, esperava ansiosamente junho e o frio que passava fora das nossas cobertas, sempre tão quentes e tão bagunçadas. Em junho você esperava sempre um pouco mais para levantar e abrir as cortinas e por isso invernos me doem tanto.
Eu não sei quanto das memórias vou perder até dezembro, não sei se vou sentar no chão e criar uma lista de metas para deixar guardada comigo, mas eu vou abrir as cortinas e passar o café, eu vou escolher domingos para comer pastel de carne seca com milho sentada na minha canga verde. Eu vou passar protetor solar e sair com a minha sombrinha que protege dos raios UV e não vou me envergonhar dela.
Agosto não é mês de criar listas, mas se eu pudesse, minha primeira meta seria: Aguentar até dezembro.
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Foi na despedida do Hector Babenco dessa imensa máquina de solidão que pude ter uma pequena lembrança de como é ouvir as palavras doces de um conto em sua boca e de como me sentia inteiramente iluminada ao descascar batatas em certas ocasiões. Não, não vou escrever sobre descascadores de batata e a imensa gratidão que tenho pelo inventor do descascador de batatas que adiantou em alguns segundos minha ida para a cama, para estar mais uma vez na prévia do melhor calor humano que já senti e que sei, nunca mais vou poder provar.
terça-feira, 19 de julho de 2016
Ele adorava iogurte de ameixa e eu lembro disso desde a primeira vez que fui na sua casa, ele tomava o iogurte assistindo qualquer baboseira que passava na TV e eu admirava a concentração com que ele fazia aquilo. Todos seus movimentos eu sempre admirei e poderia ficar horas observando o que ele estava fazendo, tudo me encantava como se fosse mágica. Se estava consertando o chuveiro, se estava cozinhando, quando estava parado segurando um livro em uma mão e um cigarro em outra, quando parava na janela com as mãos apoiadas no batente. Eu me encantava com os movimentos, meu coração palpitava tão forte.
Eu pedia sempre que podia para ele ficar comigo para sempre, eu ficava entusiasmada com a possibilidade de me encontrar velhinha admirando seus movimentos sempre tão lindos, eu queria ver ele velhinho, lendo Cortázar ao chiado da panela de pressão cozinhando pinhão nas nossas noites de inverno com vinho.
Passou o tempo e ele decidiu não ficar comigo para sempre, senti uma dor que me parecia não haver maior, chorava a qualquer momento e evitava conversar com as pessoas, pois o pranto não avisava quando vinha. Passei a odiar Cortázar e pinhão, ficou só o vinho. Em um domingo, chorei o dia todo, ao ponto do vizinho vir bater na porta e perguntar se eu estava bem. Comecei aos poucos a sair de casa, posso dizer que conheço todos os bares da Trajano Reis, Vicente Machado e das proximidades da Reitoria. Já acordei em várias camas, com vários cheiros, diferentes formatos, umas o lençol era de algodão e outras de seda, mas nenhuma me encantava.
O tempo foi passando e algumas coisas foram mudando, a dor decidiu ir embora um dia, colocou a mochilinha targus nas costas, subiu no primeiro Santa Quitéria que viu e foi embora descendo as ladeirinhas do Campo Comprido. Sim, minha dor se parece muito com ele.
Ainda sinto e isso não me dói, o que fiz foi amar e é melhor deixar partir do que insistir pelo desastre. Ainda me lembro dele e cito seu nome tantas vezes que parece que foi ontem que foi embora. Me acostumei com o fato de ter mudado e de ter que ficar enquanto ele embarcava naquele ônibus.
Quando eu pedia para ele ficar para sempre, ele sempre prometeu que ficaria e hoje eu acho que o nosso "para sempre" leva tempo diferente para acabar.
terça-feira, 5 de julho de 2016
Acordei e sentei ao lado da cama, coloquei os dois pés no carpet, como de costume. Estiquei meu braço e puxei a coberta para te cobrir em um gesto completamente automático e desesperado de te encontrar na cama. Não encontrei.
Eu tinha 20 anos e todos os sonhos do mundo comigo, planos das viagens, dos filhos e do próximo livro da nossa estante. Acabou e é assim que caminho, completamente desesperada todos os dias, em busca de um objeto fora do lugar esperando que você tenha passado por ali, em busca do seu caminhar naquela calçada que enxergo do sexto andar e que nunca te vejo. Eu tinha 20 anos e a certeza absoluta que te queria para o resto da vida e essa foi a única coisa que sobrou, a certeza.
É essa certeza que me mata todos os dias quando olho os cabides no guarda roupa, a certeza de que nunca mais suas camisas estarão ali para eu ter certeza que você ainda volta ou para eu colocar um bilhetinho te lembrando de me amar. A certeza puxou meu tapete ontem, quando fiz apenas uma xícara de chá e me fez lembrar que vai ser assim agora. Tive que tirar tuas lembranças da casa, sua toalha e seu chinelo que estavam te esperando, eu tenho certeza que você não volta e tenho certeza que não vou esperar mais e essas certezas são as que mais me doem. Eu tenho certeza das coisas que vão permanecer comigo mas tenho mais certeza das coisas todas que você levou embora. Tenho certeza que suas decisões são sempre sem volta. Eu sei que não vai cansar de fugir e que não vai voltar. Eu me conformei com a sua ausência.
A menina dos origamis e dos olhos de mel também foi embora com você, ela partiu carregando a certeza que não há lugar nesse mundo onde caiba tanto amor e tanta vontade de ficar.
Break my legs so I won't walk to you
Cut my tongue so I can't talk to you
Burn my skin so I can't feel you
Stab my eyes so I can't see
You like it when I let you walk over me
You tell me that you like it
Your love is killing me
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Não é você
Não, não é o garoto perfumado da área de filosofia da Biblioteca Pública do Paraná e não é o rapaz que lê Faulkner de pernas cruzadas no sofá do Pátio Batel. Poderia ser o engenheiro florestal do aplicativo e que tem um bom conhecimento em acampamento, mas também não é esse. O rapaz de 1,98m da editora, lindo e que parece o Hozier; o ex-namorado que tentei investir por um bom tempo; o moço com traços indianos que conheci na Trajano Reis enquanto tentava esquecer um amor velho; o amigo bonito e inteligente do meu irmão; o atendente da livraria que recita de cor o Poema em linha reta; também teria grandíssimas chances de ser o ex ficante que me chamou para ir ao show do Escambau e que renderia filhos lindos e loiros, mas não é! O enfermeiro, o baterista, o vizinho, o poeta, o nerd, o baixinho do quarto andar, o britânico do sotaque perfeito, o que é apaixonado por kart, o que voltou agora do intercâmbio, o que fiz sexo casual na semana passada, o que me deve aquele chá das 18h no paço, o que me pediu para ficar, o que me levou para almoçar as 14h da tarde, o japonês, o vendedor, o ex-escoteiro, o que toma bala em rave, o que transa bem mas é feio, o que diz eu ser a garota mais inteligente... Não é nenhum desses e eu sei, não me pergunte, mas eu sei! Pode ser lindo, pode ser inteligente, pode parecer o melhor... Mas não é, não escolho, não me esforço e não tenho mais 20 anos para me forçar ficar apaixonada por mais de uma semana, eu quero paixão sem me cobrar, quero sentir a taquicardia, quero o frio na barriga e as mãos suadas, quero chorar de amor, quero olhar nos olhos e ter certeza, quero amar sem lembrar do resto, quero me perder, quero ser natural, sem esforço. Quero me dar por inteira, cada pedaço de mim, quero unir cada pedaço do meu ser, quero encontrar aquele que me olhe nos olhos e que não precise falar mais nada.
segunda-feira, 14 de março de 2016
Só mais uma história
O que eu realmente gostava era de te ouvir contar histórias, aquelas que você repetia mil vezes, repetia ou por ser ruim de memória ou por simplesmente achar que elas mereciam ser contadas várias vezes. Sempre contava uma em especial, aquela que dizia das inúmeras vezes que quebrou alguma parte do corpo, tinha até fratura exposta no meio. Teus dedos apontando as cicatrizes, sua pele na meia luz, misturada com a fumaça do cigarro que praticamente queimava sozinho enquanto falava. Eu sempre fui de te observar, lembro de cor cada movimento seu, como costumava esfregar os dedos na testa quando estava triste ou frustrado, como cerrava os olhos quando o cigarro estava preso entre os lábios enquanto as mão estavam ocupadas, teu estralar de pescoço e sua ruga na testa que não te deixava mentir sem eu perceber... Mas o que eu gostava mesmo era de te ouvir contar histórias.
Hoje fico com a lembrança daqueles dias em que passava horas me contando histórias, fico também com todas as histórias guardadas aqui. Eu sei que vai dividi-las com muitas outras pessoas, amigos, uma nova namorada, colegas de trabalho... Mas no meio da história, no meio da risada desse alguém, você vai lembrar de mim, ah vai. E vai doer, sempre vai doer.
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