A minha solidão não troveja, não relampeia, não grita e não
chora.
Ela não se precipita.
A minha tristeza não se transforma em lágrimas, mesmo, por
vezes, eu quase não suportando.
Ela não desaba.
Já me imaginei transbordando o mundo de prantos, sofrimento
e desespero.
Não sucumbo.
Um imenso rio formado de puro desgosto e água podre e fétida
que me rege.
Não mergulho.
Eu sinto o peso da vida em minha cabeça e em meu peito.
Palavras ditas e não ditas. Malditas.
Não serei mártir.
Estou letárgica mas não cinza. Pintei meu mundo com guache,
torcendo para não chover.
Não serei o medo.
Não sou coitada, abandonada em uma noite fria. Até porque é
dentro de mim que faz frio, neva.
Aqui dentro névoa.
Que sumam, que apaguem, sejam esquecidos, que morram... que
matem os meus sonhos.
Eu não choro! Não choro!