segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dia 18 – Um poema

A vocês, eu deixo o sono.
O sonho, não!
Este eu mesmo carrego!

- Paulo Leminski



* Pessoas, estou sem internet, desculpa o sumiço. :)

domingo, 12 de setembro de 2010

Dia 17 – Uma obra de arte (pintura, desenho, escultura, etc).

Fiquei bem em dúvida... Por isso vou colocar duas obras. :)
Primeiro do meu pintor favorito: Mark Ryden.


Quem ainda não conhece as obras dele eu aconselho procurar, que elas falam mais do que qualquer elogio que eu possa dar.



A outra obra é algo bem a minha cara mesmo :D
É um origami, mas não faço ideia de quem montou ele, é lindo :)
Ai a foto:


sábado, 11 de setembro de 2010

Dia 16 – Uma musica que faz você chorar (ou quase)




É difícil achar alguma música do City and Colour ruim, e essa em especial tem tudo, uma letra linda, um ritmo e uma sintonia que é inexplicável.
Da uma vontade de explodir quando eu ouço essa música, sério. HAHAHA
Vai ai a letra pra vocês:

Forgive Me

I'll cross my heart
And hope to die
Before I have a chance to lie
To you my dear
Who I wish no harm
But I know in the end this will turn out wrong
See I've been known to fall in love
But sometimes love just is not enough
And my heart will stray
Before too long
So please forgive me for when I sing this song.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Dia 14 – Um livro não-ficcional.

Um sonho no caroço do abacate, de Moacir Scliar.

É um ótimo livro, conta a história da mãe de Moacir através de um personagem.


Quando lemos esse livro, acho que eu estava na 7° série. O Moacir até veio no colégio e deu autógrafos, foi lindo, haha.
Fica mais uma dica, ótimooo livro. :)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Nível de tolerância.

Sou uma pessoa de nervos a flor da pele, mas tento manter um nível saudável de tolerância. Dou um sorriso de lado, tento disfarçar minha frustração, sou educadinha, uma boa moça até! Mas tem horas que me despenteio, da vontade de matar todo mundo ou pelo menos torturar alguns infelizes que cruzam meu caminho.
Quando a pessoa tem certo bloqueio mental então... vish, sai de baixo.
Esses dias percebi (mais do que normalmente) como a hipocrisia rola solta por aí. Você destrói a pessoa... fala, fala, fala... mas faz a mesma coisa. E ainda se acha no direito.
Na Congregação as pessoas vão ouvir a palavra de Jesus Cristo... homem bom, não? Você é superior por ser crente, usar cabelão, vestir terno e engraxar o sapato no domingo de manhã, fala daqueles que pecam, dos que fornicam, dos que vão na praia no feriado e assim por diante, mas aposto que a maioria nunca leu a bíblia de verdade, só sabe uns dois ou três salmos pra fazer média com os irmãos.
Não sei no mundo de vocês, mas no meu as pessoas deveriam ir para a igreja (cristã) para seguir a palavra de Jesus Cristo, e não ir lá buscando uma recompensa ou um lugarzinho no céu. Ou pra fazer média com a galera do bairro.
Eu que sou uma reles mortal, fornico, peco e não fico me ajoelhando pedindo perdão, mas pelo menos não digo que sigo a palavra de Cristo.


Desculpa falar isso, mas é que pegou bem na ferida.
*Que fique bem claro que eu não sou cristã e não quero confusão... isso é só um desabafo.

Salmo 41: 1 Bem-aventurado é aquele que considera o pobre; o Senhor o livrará no dia do mal.
2 O Senhor o guardará, e o conservará em vida; será abençoado na terra; tu, Senhor não o entregarás à vontade dos seus inimigos.
3 O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu lhe amaciarás a cama na sua doença.
4 Disse eu da minha parte: Senhor, compadece-te de mim, sara a minha alma, pois pequei contra ti.
5
Os meus inimigos falam mal de mim, dizendo: Quando morrerá ele, e perecerá o seu nome?
6 E, se algum deles vem ver-me, diz falsidades; no seu coração amontoa a maldade; e quando ele sai, é disso que fala.
7
Todos os que me odeiam cochicham entre si contra mim; contra mim maquinam o mal, dizendo:
8 Alguma coisa ruim se lhe apega; e agora que está deitado, não se levantará mais.

9 Até o meu próprio amigo íntimo em quem eu tanto confiava, e que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar.
10 Mas tu, Senhor, compadece-te de mim e levanta-me, para que eu lhes retribua.
11 Por isso conheço eu que te deleitas em mim, por não triunfar de mim o meu inimigo
12 Quanto a mim, tu me sustentas na minha integridade, e me colocas diante da tua face para sempre.
13 Bendito seja o Senhor Deus de Israel de eternidade a eternidade. Amém e amém

Dia 13 – Um livro de ficção.


É um livro infanto-juvenil, muito bom por sinal. Não vou resumir o livro porque não sei fazer resumos :)
Mas eu indico, é uma bela obra.

sábado, 4 de setembro de 2010

Dia 12 – Um conto.

Conto da obra Felicidade Clandestina da Clarice Lispector.


Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com sua letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía as Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro pra se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.

No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era meu modo estranho de andar pelas ruas do Recife. Dessa vez nem cai: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nem uma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefini­do, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivi nhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mes mo, às vezes eu aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas, houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A se nhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sem pre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só pra depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dia 09 – Uma foto que você tirou


Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, vocês vão entender que dinheiro não se come!